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China mantém tarifa de 55% sobre carne brasileira e setor sente impactos

Medida afeta exportações acima da cota anual e frigoríficos já projetam perdas em 2026

Por: Redação

11/07/202612:40Atualizado

Enquanto o governo brasileiro concentra esforços diplomáticos para reagir às tarifas anunciadas pelos Estados Unidos, outro entrave comercial segue afetando um dos principais setores da economia nacional. Desde 1º de janeiro de 2026, a China passou a aplicar uma tarifa adicional de 55% sobre parte das importações de carne bovina brasileira.

Lula e Xi Jinping
Foto: Ricardo Stuckert/PR

A medida integra um regime de salvaguarda adotado por Pequim para proteger a produção local e permanecerá em vigor por três anos. A sobretaxa incide apenas sobre os embarques que ultrapassarem a cota anual estabelecida pelo governo chinês. Embora a tarifa não atinja toda a carne exportada pelo Brasil, ela alcança um volume significativo das vendas destinadas ao principal parceiro comercial do país no segmento.

Em 2025, o Brasil embarcou cerca de 1,7 milhão de toneladas de carne bovina para a China. Para 2026, no entanto, a cota livre da sobretaxa foi reduzida para aproximadamente 1,106 milhão de toneladas, fazendo com que todo o excedente passe a pagar os 55% adicionais.

Frigoríficos projetam queda nas exportações

Os reflexos da medida já começaram a ser sentidos pelo setor produtivo. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) estima uma redução de aproximadamente 10% nas exportações brasileiras de carne bovina ao longo de 2026.

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Segundo representantes da indústria, algumas empresas reduziram o ritmo de produção, concederam férias coletivas e intensificaram a busca por novos mercados para compensar a menor competitividade no mercado chinês.

Especialistas do setor também alertam que substituir um comprador do porte da China não será uma tarefa simples, já que o país asiático continua sendo o maior destino da carne bovina brasileira.

Governo busca alternativas

Documentos oficiais indicam que o governo brasileiro tem mantido diálogo com autoridades chinesas e também avalia medidas no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC) para reduzir os impactos da decisão.

A expectativa do setor é que novas negociações comerciais e a abertura de mercados alternativos possam amenizar os prejuízos provocados pela restrição chinesa nos próximos anos.