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Ataques a Alcolumbre acendem alerta no governo Lula

Declarações de aliados do governo preocupam lideranças do PT, que tentam reabrir o diálogo com o presidente do Senado

Por: Redação

10/07/202610:05Atualizado

As recentes críticas de aliados do governo ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), aumentaram a preocupação entre integrantes do Palácio do Planalto e dirigentes do PT. Nos bastidores, a avaliação é de que o tom adotado por parte da base governista pode dificultar as negociações com o comando da Casa em um momento considerado decisivo para a tramitação de projetos prioritários do Executivo.

Foto Ataques a Alcolumbre acendem alerta no governo Lula
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O episódio que intensificou o desgaste ocorreu após o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), afirmar que Alcolumbre passaria a ser tratado como "inimigo" caso não desse andamento à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala de trabalho 6x1.

A declaração repercutiu negativamente no Senado e, segundo interlocutores do governo, não representa a posição oficial do PT nem da base aliada. Integrantes do Planalto classificaram a fala como inadequada e avaliaram que ela pode comprometer as tratativas em curso com o presidente da Casa.

Nos bastidores, ministros envolvidos na articulação política também demonstraram preocupação com o aumento da tensão, justamente em um momento em que o governo busca reconstruir a interlocução com Alcolumbre.

Relação entre Lula e Alcolumbre enfrenta desgaste

A relação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Davi Alcolumbre sofreu abalos nos últimos meses. O principal ponto de atrito ocorreu após a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), escolha que não contou com o apoio do presidente do Senado.

Desde então, interlocutores afirmam que o diálogo entre os dois se tornou menos frequente, refletindo também na condução de pautas de interesse do governo no Congresso.

Entre elas está a PEC que propõe o fim da escala 6x1. Aprovada pela Câmara dos Deputados em maio deste ano, a proposta ainda aguarda despacho de Alcolumbre para iniciar sua tramitação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.

Alcolumbre reage às cobranças

Após as declarações de Pedro Uczai, Alcolumbre divulgou nota afirmando que não aceitará "ameaças" ou tentativas de intimidação em relação à definição da pauta do Senado. O parlamentar destacou que cabe à Presidência da Casa estabelecer o andamento das proposições e afirmou que essa prerrogativa não será submetida a pressões políticas.

Segundo relatos de pessoas próximas, o presidente do Senado também tem demonstrado incômodo com manifestações nas redes sociais cobrando a votação da proposta. Entre os exemplos citados por interlocutores estão publicações de parlamentares e integrantes do governo que, na avaliação de Alcolumbre, extrapolaram o debate político.

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Governo busca reduzir a tensão

Apesar do desgaste, integrantes do governo afirmam que ainda há espaço para recompor a relação entre o Planalto e o presidente do Senado. A avaliação é de que o diálogo permanece sendo o caminho mais eficaz para destravar a tramitação de matérias consideradas estratégicas pelo Executivo.

Nos bastidores, a reaproximação tem sido conduzida pela líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), e pelo líder do PT na Casa, Camilo Santana (PT-CE). Ambos são vistos como interlocutores com bom trânsito junto a Alcolumbre e trabalham para reduzir as divergências entre o Palácio do Planalto e a cúpula do Senado.

Parlamentares governistas também defendem uma estratégia baseada na negociação. Segundo relatos reservados, representantes de centrais sindicais que se reuniram recentemente com Alcolumbre avaliaram que manter o diálogo com o presidente do Senado é fundamental para o avanço da PEC que extingue a escala de trabalho 6x1.