Violência na Bahia: governo e oposição divergem sobre segurança pública
Governo aponta queda de mortes violentas e critica comparação entre estados, oposição vê cenário social que alimenta a criminalidade
Por: Marcos Flávio Nascimento
04/02/2026 • 13:04
A segurança pública na Bahia foi tema central do debate entre o deputado estadual Rosemberg Pinto (PT), líder do governo, e Tiago Correia (PSDB), líder da oposição, durante o programa Portal Esfera no Rádio. A discussão girou em torno dos índices de violência, da atuação das facções criminosas e dos fatores sociais que impactam diretamente o avanço da criminalidade no estado.
Rosemberg Pinto defendeu que a comparação entre os estados brasileiros precisa considerar as diferenças nos critérios de contabilização das mortes violentas. Segundo ele, não existe hoje uma regra nacional única para a medição desses dados.
“O Rio de Janeiro, São Paulo e a Bahia contabilizam de formas diferentes. Em alguns estados, enquanto a vítima não é identificada, a morte não entra na estatística. Aqui, identificando ou não, a ocorrência é registrada com a motivação”, afirmou.
O líder do governo ressaltou que, mesmo com essas diferenças metodológicas, os dados oficiais apontam redução de 13% nas mortes violentas na Bahia no último ano, com base em números estaduais e nacionais.
Rosemberg também destacou que o cenário baiano é distinto de estados como São Paulo e Rio de Janeiro, por envolver disputa direta entre facções criminosas por território, o que eleva os índices de letalidade.
“Aqui não é um crime organizado estabilizado. São grupos disputando espaço o tempo inteiro, sem limite algum. A polícia enfrenta duas frentes ao mesmo tempo, a facção rival e o confronto direto com o Estado”, explicou, citando que a maioria das mortes ocorre em conflitos entre organizações criminosas.
O deputado ainda defendeu a necessidade de uma política nacional de segurança pública, criticando a condução do tema no governo federal anterior.
“Nós estamos pagando um preço muito alto pela destruição do Plano Nacional de Segurança Pública. Agora estamos tentando reorganizar isso, inclusive com a criação do Fundo Nacional de Segurança Pública, mas os estados têm orçamento limitado”, disse.
Pela oposição, Tiago Correia avaliou que o debate sobre segurança precisa ser transversal, indo além da atuação policial, e alertou para o que chamou de ambiente fértil para a multiplicação da violência na Bahia.
“A violência já extrapolou os guetos e chegou ao asfalto. Hoje, qualquer pessoa sente a insegurança em qualquer lugar e horário”, afirmou.
O parlamentar relacionou os altos índices de criminalidade a fatores sociais e econômicos, citando dados do IBGE sobre desemprego, pobreza e analfabetismo.
“A Bahia é campeã nacional do desemprego, tem o maior número de analfabetos adultos, milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza e jovens fora da universidade. Com esse cenário, você cria um ambiente perfeito para a violência crescer”, disse.
Tiago Correia também criticou o que considera uma postura leniente do governo estadual, avaliando que isso pode estimular a sensação de impunidade.
“A mensagem que muitas vezes é passada acaba deixando a bandidagem mais à vontade. Hoje há assassinatos em qualquer lugar, a qualquer hora do dia”, declarou.
Em resposta, Rosemberg Pinto rebateu a crítica e afirmou que não há leniência por parte do governo ou das forças de segurança, destacando que a Bahia lidera os índices de letalidade policial em confrontos com organizações criminosas, o que, segundo ele, demonstra enfrentamento direto.
“Não há leniência. O confronto é diário, 24 horas. A polícia baiana atua com firmeza contra o crime organizado”, afirmou, acrescentando que o estado também lidera os investimentos sociais no país, conforme dados recentes do IBGE.
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