Debate sobre empréstimos e investimentos movimenta programa Portal Esfera no Rádio
Líderes da oposição e do governo divergem sobre educação, saúde e impacto dos empréstimos públicos na Bahia
Por: Marcos Flávio Nascimento
04/02/2026 • 12:45 • Atualizado
O programa Portal Esfera no Rádio, apresentado por Luis Ganem, nesta quarta-feira (4), trouxe um debate direto entre o deputado estadual Tiago Correia (PSDB), líder da oposição, e o deputado Rosemberg Pinto (PT), líder do governo na Assembleia Legislativa da Bahia.
No centro da discussão estiveram os empréstimos contraídos pelo Estado, os limites fiscais e os resultados dos investimentos em áreas como educação, saúde e segurança pública.
Ao comentar o tema dos empréstimos, Tiago Correia afirmou que o limite prudencial não foi atingido, ressaltando que, caso isso tivesse ocorrido, novas operações de crédito configurariam irregularidade administrativa. Segundo ele, a oposição não é contrária à contratação de empréstimos, desde que os recursos sejam bem aplicados.
“Nós não somos contra os empréstimos. Empréstimo é uma antecipação de investimento. Ele permite que o Estado entregue hoje equipamentos que só seriam possíveis daqui a muitos anos”, afirmou o parlamentar, ao explicar que obras de grande porte, como hospitais, dificilmente seriam viabilizadas apenas com a arrecadação de um único exercício fiscal.
O deputado, no entanto, questionou a qualidade e a oportunidade dos investimentos realizados pelo governo estadual. Para Tiago Correia, apesar do discurso oficial de recordes de aplicação de recursos, os indicadores sociais seguem negativos.
“O governo diz que nunca se investiu tanto em segurança pública e a Bahia continua sendo o estado mais violento do país. Diz que nunca se investiu tanto em educação e seguimos como campeões em analfabetismo adulto. Nunca se investiu tanto em saúde, mas a fila da regulação aumentou mais de 150%, segundo dados do TCE”, declarou.
Em resposta, Rosemberg Pinto reconheceu que o empréstimo é, de fato, uma antecipação de receita, mas defendeu que essa prática é comum também em outras esferas de governo, citando o município de Salvador como exemplo.
“Salvador vive exatamente esse processo de antecipação de receita, e eu não faço nenhuma crítica a isso. É natural que governos façam empréstimos para garantir investimentos”, disse o líder do governo.
Sobre os indicadores educacionais, Rosemberg argumentou que os dados não refletem apenas a rede estadual, mas o conjunto dos municípios e do Estado, o que, segundo ele, exige uma análise mais ampla.
“Quando se fala em índices da educação, não estamos falando só da rede estadual. São indicadores do Estado como um todo, envolvendo os municípios. E nós estamos melhorando esses índices, ainda que algumas cidades tenham caído em determinados períodos”, afirmou.
O deputado também contextualizou os números do analfabetismo, lembrando que, quando o PT assumiu o governo da Bahia, em 2006, o estado tinha cerca de 2 milhões de analfabetos.
“Nós criamos grandes programas de alfabetização, como o Topa, inspirado em iniciativas anteriores. Mas reduzir o analfabetismo não é simples. Se você não enfrenta a pobreza, o trabalho infantil e a evasão escolar, o problema se reproduz”, explicou Rosemberg, destacando a dificuldade de alfabetizar a população adulta.
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