Uso de canetas emagrecedoras e pressão estética muda mercado da moda no Brasil
Mulheres são as maiores vítimas da cobrança pelo corpo perfeito
Por: Micaele da Matta
15/07/2026 • 22:51
Desde o ano passado, a popularização do uso de medicamentos prescritos, a princípio, para tratamento de doenças como diabetes e obesidade, como Mounjaro e o Ozempic, vem sendo utilizadas para fins de emagrecimento, até mesmo sem prescrição médica, por pessoas saudáveis. A busca do corpo magro e socialmente aceitável modificou o mercado da Moda que se vê obrigado a se adaptar às demandas sociais, e não somente a ditar as tendências, como se acredita.
Esse comportamento dos consumidores na indústria refletiu na indústria têxtil. Segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), empresas do setor já observam mudanças no comportamento de parte dos consumidores, especialmente na demanda por diferentes numerações, roupas com maior versatilidade e serviços de ajuste de peças.
"Estamos observando mudanças no perfil de parte do público, o que pode alterar a distribuição da demanda entre diferentes numerações. Isso, porém, não significa redução da importância do segmento plus size. A moda continuará oferecendo opções para todos os perfis de consumidores, enquanto a indústria buscará responder com maior flexibilidade às novas demandas do mercado", declara o diretor-superintendente da Abit, Fernando Pimentel.
Conforme o site Fashion Networking, a expectativa é de que cresça a procura por peças confeccionadas com tecidos mais elásticos, modelagens ajustáveis e produtos capazes de acompanhar as mudanças de medidas corporais durante processos de emagrecimento.
Consequentemente, fabricantes de tecidos, confecções, marcas, varejistas e empresas especializadas em reformas e customizações são estimulados a se adequar à mudança.
Pressão estética e a influência digital
Uma pesquisa feita pela Universidade Federal de São Paulo (USP), realizada no ano passado, destacou que “plataformas digitais, influenciadores e celebridades têm impulsionado a popularização desses medicamentos emagrecedores, reforçando a ideia de que a magreza é sinônimo de sucesso, disciplina e autocuidado”, no que intitularam como uma espécie de “medicalização da magreza”.
Não é de agora que as ações dos famosos servem de espelho para as pessoas que as acompanham, e com a exposição de suas rotinas a palma das mãos, através de um simples stories, essa influência só se amplificou. No entanto, através do grande alcance surge a necessidade de se responsabilizar com o que se propaga.
Corpos extremamente magros de um dia para a noite, rostos super finos e quase sem gordura alguma, extensa rotinas de treino aliado ao incentivo de realizar poucas refeições é o estilo de vida comum hoje em dia, expostos em redes sociais como o Instagram e o Tik Tok. Percebe-se uma volta no tempo nas demandas de consumo, algo semelhante ao começo dos anos 2000, com a ascensão da estética Y2K.
Há, porém, artistas que fazem questão de seguir na contramão da pressão estética, valorizando seus corpos curvilíneos e naturais. A rapper baiana, Duquesa, 26, por exemplo, busca exaltar em suas músicas a importância das mulheres se sentirem bonitas e bem consigo mesmas, mesmo não tendo um corpo tido como “padrão”, ao utilizar sua influência de forma positiva.
“Eu tenho condições financeiras de tomar Mounjaro para secar a barriga, de fazer uma lipoaspiração, mas eu sou feliz assim. Não é um problema pra mim, e isso é o que incomoda (essas pessoas)”, ressaltou ela em conversa com a senadora Erika Hilton, no videocast ‘A Erika Pod’,
“No meu club só corpuda do quadril avantajado”, é o refrão da música ‘No meu club’ da feirense que ganhou a cena do rap brasileiro propagando o amor próprio e o empoderamento feminino. Assim como ela, artistas como Rihanna e Beyoncé são alvos de críticas na internet por preferirem manter suas curvas e utilizá-las como acessórios em seus looks.
Segundo um levantamento liderado pela consultoria de estratégia Dubu, 79% das mulheres acredita sofrer discriminação por conta de suas características físicas, onde dentre os sentimentos relatados, destacam-se vergonha (20%), tristeza (20%) e isolamento (11%) quando pensam sobre suas aparências.
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