Alta das importações de calçados gera redução de empregos no Brasil
Quantidade de exportações preocupa a indústria, com baixo desempenho histórico
Por: Micaele da Matta
13/07/2026 • 17:30 • Atualizado
A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) divulgou dados que evidenciam o crescimento das importações de calçados no Brasil, neste primeiro semestre do ano. Com o total de 25,9 milhões de pares importados, o volume revela-se ser 15,9% superior ao registro tido no mesmo período, no ano passado. Em contrapartida, a quantidade de exportações não acompanha este fluxo, o que gera possível redução na geração de empregos no setor.
Em valores, as compras externas somaram 307 milhões de dólares, a pesquisa foi elaborada com base nas estatísticas da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Por conta disso, a indústria deixou de criar aproximadamente 7,8 mil postos de trabalho diretos no primeiro semestre em razão do aumento das importações.
"A indústria brasileira enfrenta simultaneamente um mercado interno pressionado, perda de receita externa e aumento da concorrência importada em detrimento do calçado brasileiro, muitas vezes sob práticas de comércio consideradas desleais pela Organização Mundial do Comércio (OMC)", detalha o presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira.
Segundo ele, a entidade tem alertado o Governo Federal para os riscos da chamada "importação predatória". Assim como o Brasil, os Estados Unidos e a Argentina também apresentaram retração nas importações.
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Conforme consta no site Fashion Networking, a maior parte das importações foram encaminhadas da Ásia, responsável por 87,2% dos pares desembarcados no Brasil entre janeiro e junho. A China permanece como principal fornecedora, com 9,7 milhões de pares importados, com o Vietnã, logo atrás, chegando a 6,83 milhões de pares, e a Indonésia, com 3,68 milhões.
Já as exportações seguem na contramão. No primeiro semestre, os embarques brasileiros totalizaram 49 milhões de pares e 408,2 milhões de dólares, recuos de 7% em volume e de 17,9% em receita na comparação com igual período do ano anterior, o que resultou numa queda de 55,1% na balança comercial do setor, configurando o pior desempenho para um primeiro semestre desde o início da série histórica, em 1997.
Esse cenário tem impactado diretamente a capacidade de geração de empregos do setor, mas até então não há uma dimensão em números.
