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Bilhetes encontrados em penitenciária revelaram esquema de Deolane

Investigação também apontou que Marcola responderá por novo processo

Por: Agência Brasil|Redação

21/05/202618:30

Mensagens com orientações internas atribuídas ao Primeiro Comando da Capital (PCC), encontradas em 2019 dentro de um presídio em Presidente Venceslau, no interior paulista, foram o ponto de partida para uma investigação que chegou à influenciadora e advogada Deolane Bezerra. A apuração resultou na Operação Vérnix, deflagrada nesta quinta-feira (21), pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e pela Polícia Civil.

Deolane
Foto: Reprodução/Instagram @deolane

Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), os bilhetes apreendidos não citavam diretamente o nome de Deolane. Ainda assim, a análise do material levou os investigadores até uma transportadora sediada em Presidente Venceslau, apontada como empresa utilizada pelo PCC para movimentações financeiras. A partir daí, a polícia identificou transferências para contas ligadas à influenciadora.

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De acordo com as investigações, os recursos passavam por diferentes contas bancárias em uma tentativa de dificultar o rastreamento do dinheiro. Duas delas estariam em nome de Deolane, suspeita de participar do esquema de lavagem de capitais. O Ministério Público também afirma que a quebra dos sigilos bancário e fiscal revelou movimentações consideradas incompatíveis com os rendimentos declarados.

Família de Marcola também foi alvo

A operação atingiu ainda integrantes da família de Marco Herbas Camacho, o Marcola. Entre eles o irmão Alejandro Camacho, além dos sobrinhos Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho. Os investigados foram incluídos na Lista Vermelha da Interpol. A Justiça autorizou seis prisões preventivas, bloqueio de mais de R$ 327 milhões e apreensão de veículos de luxo e imóveis.

Promotor do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), Lincoln Gakiya afirmou que as mensagens recolhidas no presídio permitiram rastrear a estrutura financeira ligada à facção.

 “A empresa pertencia de fato à família Camacho, onde foi lavado esse dinheiro. O Marcola tem mais de 300 anos de pena para cumprir e ele certamente responderá a um novo processo, provavelmente sofrendo condenação nesse caso”, declarou.