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Deolane é transferida para presídio no interior de São Paulo

Influenciadora investigada por ligação com o PCC deixou cadeia na capital nesta sexta (22)

Por: Redação

22/05/202614:41Atualizado

A influenciadora Deolane Bezerra foi transferida, na manhã desta sexta-feira (22), para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo. A informação foi confirmada pelo secretário de Segurança Pública do estado, Nico Gonçalves.

Publicação de Deolane
Foto: Reprodução/Instagram Deolane Bezerra

A advogada estava detida na Penitenciária Feminina de Sant’Ana, na zona Norte da capital paulista, após ser presa preventivamente durante uma operação que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital.

De acordo com a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), Deolane deixou a unidade prisional ainda durante a madrugada e chegou ao novo presídio por volta do meio-dia. A penitenciária fica a cerca de 670 quilômetros da capital paulista.

A unidade para onde a influenciadora foi levada está localizada no interior de São Paulo e recebe detentas envolvidas em investigações de maior complexidade ou repercussão.

Investigação aponta suposta ligação com esquema do PCC

A prisão de Deolane aconteceu na quinta-feira (21), durante a Operação Vérnix, conduzida pelo Gaeco de Presidente Prudente. A ação investiga uma suposta rede milionária de movimentação financeira e ocultação de recursos atribuída ao PCC.

Segundo o promotor Lincoln Gakiya, ouvido pela CNN Brasil, a influenciadora faria parte da chamada “arquitetura financeira” da facção criminosa desde 2022. Ainda conforme as investigações, Deolane integraria uma estrutura formada por pessoas que não seriam membros oficiais do grupo criminoso, mas que ajudariam na circulação de dinheiro e na suposta lavagem de valores.

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Os investigadores também apontam uma proximidade da influenciadora com familiares de Marcola e Alejandro Camacho. Entre os elementos analisados estariam registros de encontros, viagens e movimentações financeiras.

Como começou a investigação

O caso teve origem em 2019, após a apreensão de bilhetes e manuscritos encontrados com detentos da Penitenciária II de Presidente Venceslau.

De acordo com os investigadores, os documentos detalhavam estruturas internas do PCC e citavam uma suposta “mulher da transportadora”, que teria ligação com ações operacionais da facção.

A partir daí, foram instaurados diferentes inquéritos. Um deles identificou a empresa Lopes Lemos Transportes como possível instrumento utilizado para lavagem de dinheiro.

Já durante a Operação Lado a Lado, a apreensão de celulares revelou conversas e comprovantes bancários que, segundo a polícia, conectariam Deolane a Everton de Souza, conhecido como “Player”.

Segundo os autos, foram localizados comprovantes de depósitos destinados a contas ligadas à influenciadora, o que, para os investigadores, indicaria compatibilidade com a estrutura financeira investigada.

Defesa nega irregularidades

Em nota divulgada na noite de quinta-feira (21), a defesa de Deolane Bezerra negou qualquer envolvimento da influenciadora em atividades ilegais e afirmou que irá comprovar a legalidade de suas ações.

“A defesa técnica da advogada dra Deolane Bezerra Santos vem, com o máximo respeito às instituições do Sistema de Justiça e ao Estado Democrático de Direito, prestar os devidos esclarecimentos sobre os acontecimentos que resultaram em sua prisão preventiva na data de hoje, 21.05.26: inicialmente ressaltamos a sua mais absoluta inocência, bem como, que os fatos serão devidamente esclarecidos por esta, em momento oportuno. Por hora e como o devido acatamento, consideramos desproporcionais as medidas firmadas em face de Deolane e esta banca de defesa seguirá cooperando tecnicamente com a Justiça para demonstrar a licitude de suas atividades na condição de advogada que é, confiando plenamente no discernimento, na razoabilidade e na imparcialidade do Poder Judiciário”, afirmou a equipe jurídica.