Canais misóginos somam 4 bilhões de views no YouTube brasileiro
Levantamento aponta 123 perfis ativos com conteúdo de ódio às mulheres
Por: Redação
24/05/2026 • 20:40
Um levantamento do Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais (NetLab), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), identificou ao menos 123 canais brasileiros ativos no YouTube com conteúdos considerados misóginos. Juntos, eles acumulam cerca de 4 bilhões de visualizações e mais de 23 milhões de inscritos.
Os dados foram usados como base pelo Ministério da Justiça na formulação do decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A medida busca reforçar a proteção de mulheres no ambiente digital e criar mecanismos de apoio às vítimas de violência online.
Segundo o estudo, os canais mapeados possuem cerca de 130 mil vídeos publicados. O relatório também aponta que aproximadamente 80% dessas páginas utilizam alguma forma de monetização, seja por anúncios da plataforma, programas de membros, venda de produtos digitais ou doações via Pix.
A pesquisa atualiza um monitoramento iniciado em 2024, quando 137 canais haviam sido identificados. Desde então, apenas 14 deixaram de existir ou foram removidos. Outros 20 mudaram de nome, mas parte deles continuou publicando conteúdos semelhantes.
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Conteúdo cresceu nos últimos anos
De acordo com o NetLab, o crescimento desse tipo de conteúdo ganhou força nos últimos anos. Apesar de haver registros desde 2018, cerca de 88% dos vídeos analisados foram publicados a partir de 2021.
O levantamento também mostra que, entre janeiro de 2023 e abril de 2024, mais da metade dos canais entraram em atividade na plataforma. Desde o último relatório, aproximadamente 25 mil novos vídeos foram publicados. Para classificar os canais, os pesquisadores consideraram páginas que possuíam ao menos três vídeos com manifestações de ódio ou desprezo direcionadas às mulheres.
Entre os temas mais recorrentes identificados está o incentivo à chamada “insurgência masculina”, presente em 42% dos conteúdos analisados. Segundo o estudo, os vídeos estimulam discursos de desprezo às mulheres e questionam pautas relacionadas à igualdade de gênero.
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