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Israel quer fim completo da ajuda humanitária a Gaza

Ministro alega que Hamas está se apropriando de alimentos e bens enviados

Por: Iago Bacelar

26/06/202509:40Atualizado

O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, voltou a defender a interrupção completa da ajuda humanitária à Faixa de Gaza. A declaração foi feita nesta quinta-feira (26), por meio de um vídeo publicado na rede social X, antigo Twitter. Segundo ele, os suprimentos enviados à população estão sendo controlados pelo Hamas, o que contribui para o fortalecimento do grupo.

Israel quer fim completo da ajuda humanitária a Gaza
Foto: Reprodução/X @mhdksafa

No vídeo divulgado, homens armados aparecem sobre caminhões com carregamentos de alimentos e mantimentos. O ministro argumenta que a manutenção da entrada de ajuda representa um equívoco estratégico e enfraquece os esforços militares contra o Hamas.

"A ajuda humanitária que atualmente entra em Gaza é uma vergonha absoluta", declarou Ben-Gvir, que afirmou que a decisão de interromper o envio de insumos deveria ser definitiva e não temporária.

Ministro reforça críticas a decisões anteriores do governo

Ben-Gvir relembrou que foi contrário à liberação de ajuda humanitária em votações anteriores do gabinete israelense.
"Quando eu, infelizmente, fui o único que votou há um mês e meio contra a autorização da ajuda, o que para mim era claro que daria fôlego ao Hamas, houve quem zombasse de mim", afirmou.

Segundo o ministro, mesmo após o argumento de que a liberação da ajuda duraria apenas dez dias, a entrada de suprimentos continuou. Ele defende que o Hamas passou a se apropriar dos alimentos e itens enviados com finalidade humanitária, o que teria contribuído para prolongar o conflito armado na região.

"O Hamas está assumindo o controle das quantidades de alimentos e bens que contribuem para sua sobrevivência", disse. Ele afirmou ainda que exigirá do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu que o tema volte à pauta em uma próxima reunião de gabinete.

"Interromper a ajuda nos levará rapidamente à vitória", concluiu.

Situação humanitária em Gaza é crítica

A situação na Faixa de Gaza tem se agravado desde o início da guerra, em outubro de 2023. De acordo com estimativas das Nações Unidas, mais da metade da população do território enfrenta níveis extremos de fome, agravados pela escassez de recursos básicos e pelo bloqueio imposto por Israel. O cerco militar à região também contribuiu para limitar drasticamente o acesso a medicamentos, água e energia.

Segundo dados da Defesa Civil palestina, 516 pessoas morreram enquanto aguardavam a distribuição de ajuda humanitária nos pontos de entrega. Muitos desses locais têm sido alvos de denúncias por falhas logísticas e por falta de segurança diante da concentração de pessoas.

Desde o fim de maio, os insumos estão sendo distribuídos com apoio da Gaza Humanitarian Foundation (GHF), estrutura criada com suporte dos Estados Unidos e de Israel. No entanto, organizações locais e grupos civis denunciam o sistema como uma "armadilha mortal", indicando que os corredores humanitários não garantem segurança mínima para a população civil.

Debate sobre continuidade da ajuda segue no governo israelense

O tema deve continuar gerando tensões dentro do governo israelense. A posição de Ben-Gvir representa uma ala mais radical dentro do gabinete de guerra, que pressiona por ações mais rígidas contra o Hamas, mesmo diante de alertas internacionais sobre a crise humanitária em curso.

O Ministério da Defesa de Israel e o Escritório do Primeiro-Ministro ainda não se manifestaram publicamente sobre o novo pedido de interrupção dos suprimentos. Enquanto isso, os relatos de escassez alimentar e colapso nos sistemas de saúde e assistência social se intensificam dentro da Faixa de Gaza.