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Ex-deputado Alexandre Ramagem é liberado após detenção nos Estados Unidos

Autoridades não divulgaram detalhes sobre a decisão

Por: Redação

16/04/202610:32Atualizado

O ex-deputado federal Alexandre Ramagem foi liberado pelas autoridades dos Estados Unidos após ter sido detido por agentes do U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE) na segunda-feira (13). A informação foi confirmada pela BBC News Brasil, que verificou que o nome do político não consta mais na lista de detidos em Orange County, na Flórida.

Ex-deputado Alexandre Ramagem é liberado após detenção nos Estados Unidos
Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados

Até o momento, as autoridades norte-americanas não divulgaram detalhes oficiais sobre os motivos da detenção nem sobre as circunstâncias da soltura. De acordo com a Polícia Federal (PF), o caso estaria relacionado a pendências na situação migratória de Ramagem. Após a liberação, o portal G1 também confirmou a soltura. Procurados, a PF e o Itamaraty ainda não se manifestaram.

Situação migratória e pedido de asilo

Em declaração à coluna da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, o empresário Paulo Figueiredo afirmou que Ramagem foi liberado sem pagamento de fiança, não será deportado e aguarda a análise de um pedido de asilo nos Estados Unidos. Segundo ele, a situação migratória do ex-deputado estaria regular em razão do processo em andamento.

Repercussão política

Nas redes sociais, o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro celebrou a liberação e agradeceu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao secretário de Estado Marco Rubio. Em publicações, ele classificou Ramagem como “herói nacional” e defendeu a concessão de asilo político, além de compartilhar registros do reencontro do ex-deputado com a família.

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Condenação e investigações no Brasil

Ramagem foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão por envolvimento na tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Antes do trânsito em julgado da sentença, ele deixou o Brasil e passou a residir nos Estados Unidos, tornando-se o único integrante do chamado “núcleo central” da investigação a não iniciar o cumprimento da pena.

Em novembro, o ministro Alexandre de Moraes determinou sua prisão preventiva. No mês seguinte, o mandato de Ramagem foi cassado, assim como o de Eduardo Bolsonaro. Moraes também solicitou a extradição do ex-deputado e determinou o cancelamento de seu passaporte diplomático.

Segundo o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, Ramagem teria deixado o país de forma clandestina pela fronteira com a Guiana e ingressado nos Estados Unidos utilizando passaporte diplomático.

A denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) aponta que o ex-deputado teria utilizado a estrutura da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para monitorar adversários políticos e produzir desinformação, além de fornecer subsídios ao ex-presidente Jair Bolsonaro em ataques ao sistema eleitoral.

Cooperação internacional e versões divergentes

A detenção nos Estados Unidos teria ocorrido após cooperação entre autoridades brasileiras e o ICE, segundo fontes ouvidas pela BBC News Brasil. A estratégia envolveria o uso da situação migratória do ex-deputado para viabilizar sua prisão e eventual retorno ao Brasil, diante da demora na análise do pedido de extradição.

Nos Estados Unidos, a decisão final sobre extradições cabe ao secretário de Estado, atualmente Marco Rubio, que já manifestou críticas a decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e mantém proximidade com integrantes da família Bolsonaro.

Ainda segundo essas fontes, Ramagem vinha sendo monitorado desde que chegou ao país, e informações sobre sua localização teriam sido compartilhadas com o ICE por meio de cooperação internacional.

Em nota, a Polícia Federal mencionou a prisão de um condenado pelos atos de 8 de janeiro em Orlando, sem citar nomes, destacando a cooperação policial internacional.

A versão foi contestada por Paulo Figueiredo, que afirmou que a detenção teria ocorrido por uma infração administrativa e que o status migratório de Ramagem seria regular devido ao pedido de asilo. Segundo ele, o governo brasileiro não teria participado do episódio.

Até o momento, ICE, Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, Itamaraty e a defesa de Ramagem no Brasil não se pronunciaram oficialmente sobre o caso.