Concentração de gases do efeito estufa atingem níveis recordes
Constatação vem de um relatório da Organização Meteorológica Mundial
Por: Agência Brasil
28/10/2026 • 10:00
Um relatório publicado nesta terça-feira (27) pela Organização Meteorológica Mundial (WMO) mostrou que 2025 atingiu níveis de concentração “sem precedentes” de gases do efeito estufa na atmosfera. O estudo constatou que a concentração de dióxido de carbono (CO₂), o principal desses gases, é 53% mais alto do que em níveis pré-industriais (antes de 1750).
Em relação ao metano (CH₄), a concentração é 167% maior, na mesma base de comparação. Já o óxido nitroso (N₂O), o gás com maior potencial de aquecimento dentre os três, tem um nível 26% superior ao nível pré-industrial. Em 2025, a concentração de dióxido de carbono atingiu 426,8 partes por milhão (ppm). Isso significa que, a cada um milhão de moléculas suspensas na atmosfera, aproximadamente 426 são de gás carbônico. São 2,8 ppm a mais do que em 2024.
O crescimento foi um pouco abaixo do registrado em 2024 (3,6 ppm), na comparação com o ano anterior, mas ficou acima da média da década (2,62 ppm por ano). De acordo com o relatório, a redução do ritmo de crescimento em relação ao ano anterior provavelmente se deve à redução das emissões e a recuperação de sumidouros de carbono terrestres.
O fato de haver alta da concentração, no entanto, reflete a continuidade de grandes emissões provenientes da queima de combustível fóssil. Também pode ter ocorrido um impacto da temporada 2023/2024 do El Niño que evitou uma absorção maior do gás pela biosfera. Do total de emissões humanas ocorridas entre 2015 e 2024, 50% se acumularam na atmosfera. O restante foi parar nos oceanos (29%), sejam dissolvidos na água, absorvidos pela biosfera marinha, e na terra (21%), absorvidos por processos biológicos ou geológicos.
O CO₂ responde por 66% da força radiativa dos gases do efeito estufa, ou seja, da capacidade de aquecimento na nossa atmosfera. Ele é também responsável por 83% do aumento dessa força na última década.
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