Logo

Ato pede libertação de ativistas de flotilha e medidas duras do Brasil

Ativistas pró-Palestina se reuniram no centro de São Paulo

Por: Agência Brasil

05/10/202518:30

Em mais um ato pró-palestina no centro de São Paulo, alguns milhares de manifestantes demonstraram solidariedade aos ativistas presos durante nesta semana por Israel enquanto tentavam romper o bloqueio naval imposto à região da Faixa de Gaza.

Foto Ato pede libertação de ativistas de flotilha e medidas duras do Brasil
Foto: cspconlutas/Instagram

Eles ainda denunciaram a postura violenta da marinha israelense e a alegada falta de ações efetivas do governo brasileiro, inclusive para garantir a segurança dos 14 nacionais entre as centenas de ativistas detidos.

"O principal motivo da gente estar aqui hoje é pela luta pela liberdade e pelo fim do genocídio que acontece na Palestina. Também para demonstrar nossa solidariedade à flotilha, que foi sequestrada pelo estado de Israel em áreas de águas internacionais", Ziad Saifi, 51 anos, comerciante de origem libanesa.

"Israel cometeu outro crime e deve ser julgado também por isso, e é por isso que a gente está aqui hoje lutando e gritando em alto e bom som", disse ele, ao participar do protesto para chamar a atenção ao preconceito que o ocidente tem com o mundo árabe, à perseguição de islâmicos e contra o genocídio do povo palestino.

Concentrados desde o final da manhã na Avenida Paulista, os manifestantes se deslocaram em caminhada rumo à Praça Roosevelt, também no centro.

Flotilha Global Sumud

A Flotilha Global Sumud reuniu cerca de 50 embarcações que carregavam 461 ativistas de diversas partes do mundo com doações de alimentos e remédios para o litoral da Faixa de Gaza.

A intenção da mobilização é diminuir o impacto do bloqueio israelense à região, que tem levado a mortes por inanição e a surtos de doenças ligadas à higiene básica e às condições de vida.

Todos os barcos foram interceptados e seus tripulantes presos, desde a última quarta-feira, ainda fora das águas territoriais israelenses, com uso de equipamentos e tropas da marinha e força aérea de Israel.

Entre as denúncias nesta abordagem uma das que tem chocado o mundo é a de violência não justificada, como teria alegadamente ocorrido à ativista norueguesa Greta Thunberg. Ela teria sido arrastada e espancada, à vista dos demais militantes e como uma espécie de exemplo a eles. 

"Temos de participar e defender os nossos ativistas, assim como as vítimas desse genocídio", conclamou a professora aposentada Marta da Silva Mendes, 68, que acompanha o tema há anos por solidariedade.

Brasileiros na flotilha

Dentre os mais de 400 ativistas detidos, onze são brasileiros. Para o governo brasileiro, a interceptação fere direito internacional de liberdade de navegação, previsto por convenção das Nações Unidas, além da "detenção ilegal de ativistas pacíficos". 

Em nota da última quinta-feira (2), o Ministério das Relações Exteriores defendeu que Israel "deverá ser responsabilizado por quaisquer atos ilegais e violentos cometidos contra a Flotilha e contra os ativistas pacíficos que dela participam e deverá assegurar sua segurança, bem-estar e integridade física enquanto permanecerem sob a custódia de autoridades israelenses".