“Violência contra a mulher começa antes da agressão”, alerta advogada
Camila Batista defende educação como chave para frear feminicídios
Por: Domynique Fonseca
17/03/2026 • 16:20 • Atualizado
Durante entrevista ao Programa Portal Esfera no Rádio, da Rádio Itapoan FM (97,5), apresentado por Luis Ganem, nesta terça-feira (17), a advogada Camila Batista, superintendente de Prevenção e Enfrentamento à Violência contra a Mulher da Bahia, alertou para a necessidade de ampliar ações de prevenção no combate à violência de gênero.
Segundo a especialista, o enfrentamento ao problema não depende apenas da atuação do poder público, mas também de mudanças estruturais na sociedade.
“Não é um problema só do Estado. É um problema social. Se a gente não investir em prevenção e educação, a violência não vai parar”, afirmou.
Camila destacou que, apesar da existência de uma rede de proteção formada por delegacias especializadas, Ministério Público e Defensoria Pública, os índices de violência tendem a se manter elevados sem um trabalho contínuo de conscientização.
A superintendente explicou que casos mais graves, como o feminicídio, são resultado de um processo que começa antes da agressão física.
“O feminicídio é o ápice, mas ele não começa ali. Ele começa antes, em atitudes sutis que vão se agravando com o tempo”, disse.
Entre os sinais iniciais, ela aponta comportamentos de controle, comentários machistas e tentativas de interferir na autonomia da mulher.
“Às vezes vem como um cuidado, mas é uma forma de moldar. Quando a mulher percebe, já está em uma relação abusiva”, completou.
Violências pouco reconhecidas
Camila Batista também ressaltou que nem todas as formas de violência são facilmente identificadas. Situações envolvendo controle financeiro ou pressão dentro da relação, por exemplo, podem passar despercebidas.
“Quando a mulher é convencida de que o homem deve administrar o dinheiro dela, isso é violência patrimonial. E a insistência após uma negativa também configura violência sexual”, explicou.
Outro ponto destacado foi a influência da educação na construção de comportamentos.
“A gente precisa discutir como nossos meninos estão sendo criados. A forma como eles são educados impacta diretamente nas relações que vão construir no futuro”, afirmou.
Para a gestora, a ausência desse debate contribui para a manutenção de padrões que naturalizam a violência.
Além das ações preventivas, Camila defendeu iniciativas voltadas à reeducação de agressores, com o objetivo de evitar a reincidência.
“Esse agressor vai voltar para a sociedade. A questão é como ele retorna e se houve mudança de comportamento”, completou.
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