“Não basta não agredir, é preciso agir contra violência”, diz Jessica Senra
Jornalista defende que homens enfrentem atitudes preconceituosas
Por: Domynique Fonseca
20/03/2026 • 16:40
A jornalista e apresentadora Jessica Senra (@jessicasenra) afirmou que o combate ao machismo passa por uma mudança de postura dos homens, que, segundo ela, precisam deixar a omissão e agir diante de situações de preconceito. A declaração foi feita durante entrevista ao Portal Esfera no Rádio, na 97,5 FM, apresentado por Luis Ganem, nesta sexta-feira (20).
“Bora respeitar a mulherada. Os homens precisam começar a se posicionar e até se indispor com seus amigos”, disse. Segundo a jornalista, esse tipo de atitude é fundamental para interromper comportamentos discriminatórios no cotidiano.
Ela ainda relatou que adota esse posicionamento mesmo quando há consequências pessoais:
“Eu me indisponho com pessoas do meu convívio quando há falas racistas ou LGBTfóbicas. Sei que isso gera desconforto, mas não é tolerável."
Para ela, o enfrentamento direto é parte do compromisso com uma sociedade mais justa.
Postura dos homens
Durante a conversa, a comunicadora também criticou a postura defensiva de parte dos homens diante de debates sobre gênero.
“A primeira reação é dizer ‘eu não’. Mas, muitas vezes, nem escutam o que a mulher está dizendo”, pontuou. Segundo ela, essa atitude dificulta o avanço das discussões e impede mudanças efetivas.
A apresentadora reforçou que, no cenário atual, não basta apenas não cometer violência. “Não é suficiente não serum agressor. É preciso agir para impedir que outros sejam”, destacou.
Desigualdade e relações
Ao abordar o mercado de trabalho, Jessica citou os obstáculos enfrentados por mulheres na ascensão profissional.
“Existe o chamado teto de vidro. As mulheres avançam, mas têm dificuldade de chegar ao topo, especialmente as mulheres negras”, afirmou.
Ela também falou sobre relações afetivas e criticou a ideia de que o homem deve ocupar exclusivamente o papel de provedor.
“Quando alguém acha que tudo que tem a oferecer é dinheiro, isso diz muito sobre o tipo de relação que está construindo”, disse.
Defensora da independência financeira, Senra afirmou que sempre buscou autonomia. “Nunca esperei que homem pagasse nada para mim. Isso pode criar uma lógica de dívida que não é saudável”, pontuou.
Outro ponto abordado foi a dificuldade de muitos homens em lidar com emoções e frustrações. Para a jornalista, isso impacta diretamente nas relações.
“Muitos não foram ensinados a lidar com sentimentos, e isso aparece na incapacidade de escutar e de construir relações mais equilibradas”, completou.
