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Jessica Senra defende inclusão e critica desigualdade de gênero

Jornalista fala sobre desigualdade, preconceito e papel da informação

Por: Domynique Fonseca

20/03/202612:51Atualizado

A jornalista, apresentadora e palestrante Jessica Senra (@jessicasenra) defendeu a ampliação do debate sobre igualdade de gênero e criticou práticas machistas ainda presentes na sociedade durante entrevista ao Portal Esfera no Rádio, apresentado por Luis Ganem, na 97,5 FM, nesta sexta-feira (20).

Foto Jessica Senra defende inclusão e critica desigualdade de gênero
Foto: Pedro Henrique / Portal Esfera

Ao abordar a participação de mulheres trans no movimento feminista, Senra afirmou que a luta deve ser inclusiva.

“Se as mulheres trans querem fazer parte da nossa luta, são muito bem-vindas. É uma mulher que luta, que é violentada todos os dias”, declarou, ao citar a deputada Erika Hilton como exemplo.

A comunicadora também destacou que diferentes formas de violência fazem parte da realidade feminina.

“Nós mulheres saímos de casa e somos violentadas o tempo inteiro, com olhares, comentários, intimidações”, disse.

Durante a entrevista, a comunicadora avaliou que o Brasil ainda enfrenta desafios estruturais relacionados ao preconceito. “O Brasil é um país preconceituoso, conservador e que precisa de mais esclarecimento, mais conhecimento”, afirmou. Para ela, o acesso à informação hoje elimina a justificativa da falta de conhecimento: “A informação é commodity. Quem quiser se informar, consegue”.

A jornalista reforçou que sua atuação está ligada à promoção de valores como empatia e coletividade. “Se não estiver bom para todo mundo, não está bom para ninguém”, pontuou. Ela também afirmou que utiliza a comunicação como ferramenta de transformação social. “O caminho que eu encontrei foi o da palavra, do estudo, do esclarecimento”, disse.

Outro ponto abordado foi a naturalização de comportamentos machistas no cotidiano. Segundo Senra, muitas mulheres só reconhecem situações de violência ao compartilhar experiências.

“É quando a gente conversa umas com as outras que percebe que não é algo isolado, mas um padrão”, explicou.

Jéssica Senra também criticou a desigualdade na divisão de tarefas e responsabilidades. “As mulheres já fazem muito mais trabalho doméstico e de cuidado. Não cabe a nós ensinar tudo novamente”, afirmou. Ainda assim, ressaltou que homens interessados em compreender o debate são bem-vindos: “Quem quiser entender, será muito bem-vindo”.

Ao relembrar o início da carreira, Senra relatou episódios de deslegitimação profissional. “Disseram que eu só crescia porque me relacionava com meu chefe. Isso ignora minha inteligência, meu esforço”, afirmou. Segundo ela, esse tipo de narrativa reduz mulheres a estereótipos e desconsidera sua competência.

“A gente precisa avançar para ser um país mais tolerante, mais amoroso, com mais igualdade”, concluiu.