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Brasil registra recorde de feminicídios pelo quarto ano consecutivo

Anuário Brasileiro de Segurança Pública aponta aumento de 4% nos casos em 2025

Por: Redação

23/07/202613:50Atualizado

O Brasil registrou 1.571 vítimas de feminicídio em 2025, maior número da série histórica, de acordo com o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quarta-feira (23). O total representa um aumento de 4% em relação ao ano anterior e marca o quarto recorde consecutivo desse tipo de crime no país.

Anuário indica aumento de casos de feminicídio
Foto: Reprodução/TV Globo

Na contramão desse crescimento, os demais indicadores de violência letal apresentaram redução. As Mortes Violentas Intencionais somaram 40.775 registros em 2025, queda de 8,2% em comparação com 2024 e a menor taxa já registrada no país.

Segundo o levantamento, 44,4% das mulheres assassinadas no Brasil morreram por razões de gênero, o maior percentual desde que o feminicídio passou a integrar o Código Penal, em 2015. O anuário também aponta aumento nas tentativas de feminicídio, que chegaram a 4.189 casos no último ano, alta de 5,9% em relação ao período anterior.

A coordenadora de Gênero e Raça do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Juliana Brandão, afirma que a violência contra as mulheres possui características distintas da violência urbana. De acordo com a pesquisadora, fatores como desigualdade de gênero, violência doméstica, controle exercido pelos agressores e fragilidades na rede de proteção contribuem para a persistência desses crimes.

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O estudo também revela que os maiores índices de feminicídio foram registrados no Amapá, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Já o perfil das vítimas mostra que 65,1% eram mulheres negras, 56,5% tinham entre 25 e 44 anos e 62,5% foram mortas dentro da própria residência.

Identificação da autoria

Quando a autoria foi identificada, 96,4% dos crimes foram praticados por homens. Em mais da metade dos casos (60,9%), o autor era o companheiro da vítima; em 18,9%, um ex-companheiro; e, em 12,1%, um familiar.

Outro dado destacado pelo anuário é o aumento de 16,7% nos registros de descumprimento de medidas protetivas de urgência, que chegaram a 132.025 casos em 2025. Entre os estados que informaram os dados ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 70 mulheres foram assassinadas mesmo possuindo medida protetiva em vigor, reforçando os desafios para a efetividade dos mecanismos de proteção às vítimas.