Cafeicultores cobram duplicação da BR-242 e mais energia no oeste baiano
Presidente da associação do setor critica gargalos logísticos e pede reação política da Bahia
Por: Marcos Flávio Nascimento
14/07/2026 • 15:40
A necessidade de ampliar a infraestrutura para sustentar o crescimento do agronegócio baiano voltou ao centro do debate. Em entrevista ao Portal Esfera no Rádio, na rádio Itapoan 97,5 FM, com o apresentador Luis Ganem, o presidente da Associação dos Cafeicultores da Bahia, João Lopes Araújo, afirmou que a precariedade das rodovias e da rede elétrica compromete a competitividade da produção no estado.
Segundo ele, os principais entraves enfrentados pelos produtores vão desde estradas deterioradas até a demora na chegada de energia elétrica e na concessão de licenciamentos, fatores que, na avaliação do dirigente, freiam novos investimentos.
João Lopes destacou que o Brasil ainda sofre com a falta de alternativas logísticas, o que concentra o transporte de cargas nas rodovias:
"A gente não tem transporte ferroviário, que faz uma falta enorme. A base do nosso transporte é estrada, e as estradas têm tido muita dificuldade de manutenção."
Na avaliação do presidente da entidade, a situação é ainda mais crítica na Bahia, onde importantes corredores logísticos operam acima da capacidade para a qual foram projetados há décadas.
BR-242 é apontada como prioridade para o agronegócio
Entre as principais reivindicações do setor está a duplicação da BR-242, especialmente no trecho entre Barreiras e Luís Eduardo Magalhães, considerado estratégico para o escoamento da produção agrícola.
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João Lopes afirmou que o oeste baiano se consolidou como uma das maiores regiões produtoras do país, mas segue enfrentando gargalos logísticos que elevam custos e dificultam a competitividade.
"Tem mil carretas por dia passando nesse trecho durante a colheita da soja. A duplicação de Barreiras para Luís Eduardo é uma calamidade e precisa ser a primeira obra", destaca.
O dirigente também demonstrou preocupação com a possibilidade de mudanças na prioridade da obra após prefeitos de Goiás defenderem a duplicação de outro trecho da rodovia: "Nós estamos precisando de mais disputa do nosso direito pelos políticos da Bahia."
Ele ressaltou que boa parte das exportações de soja e algodão produzidas no oeste utiliza a BR-242 até alcançar os portos baianos, tornando a duplicação essencial para o desenvolvimento econômico do estado.
Energia e infraestrutura ainda limitam novos investimentos
Outro ponto levantado por João Lopes foi a deficiência da oferta de energia elétrica em municípios do oeste baiano. Segundo ele, empresas deixam de investir na região por causa da instabilidade do fornecimento.
O presidente revelou que uma indústria têxtil interessada em se instalar em Luís Eduardo Magalhães desistiu do projeto após constatar oscilações constantes na rede elétrica.
"A energia oscilava tanto que a empresa não quis investir. Ficaria o dia inteiro ligando e desligando máquinas", garante.
Além da energia, ele citou a lentidão para obtenção de licenças ambientais, autorizações para perfuração de poços e melhorias nas estradas vicinais como fatores que dificultam o avanço da produção.
Na avaliação do dirigente, o fortalecimento da infraestrutura passa também pela interiorização da indústria, permitindo que parte da produção agrícola seja beneficiada dentro da própria Bahia:
"Não é possível produzir soja, milho, algodão e café no oeste da Bahia e não ter nenhuma indústria por falta de energia."
Para João Lopes, é preciso unir lideranças políticas, entidades de classe e empresários para garantir investimentos estruturantes.
"Tem coisa que a gente não pode esquecer. O interesse regional é o mesmo. Precisamos somar forças para levar mais progresso ao interior da Bahia."
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