Ansiedade de separação: como identificar e tratar
Transtorno é mais comum do que se imagina, mas tem tratamento e pode ser prevenido com orientação adequada
19/02/2026 • 13:19
A cena é comum: o tutor pega as chaves, calça os sapatos e o cachorro já começa a ficar inquieto. Alguns choram, outros latem, arranham a porta ou destroem objetos. Quando o dono retorna, encontra bagunça, vizinhos reclamando e, muitas vezes, um animal ofegante e visivelmente estressado.
Isso pode não ser “birra” ou “falta de educação”. Pode ser ansiedade de separação.
Trata-se de um transtorno comportamental que ocorre quando o animal sofre intensamente ao ficar sozinho ou afastado da sua figura de apego. E sim, é sofrimento real.
O que é ansiedade de separação?
Cães são animais sociais. Ao longo da domesticação, criaram vínculos profundos com os humanos. Para alguns, a ausência do tutor representa insegurança extrema.
A ansiedade de separação acontece quando o pet não consegue lidar emocionalmente com a solidão. Não é manipulação. Não é vingança. É medo.
Gatos também podem apresentar o problema, embora seja mais comum em cães.
Principais sinais
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Latidos, uivos ou choros excessivos
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Destruição de portas, janelas ou objetos pessoais do tutor
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Urinar ou defecar dentro de casa, mesmo sendo treinado
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Salivação excessiva
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Tremores ou respiração ofegante
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Tentativas de fuga
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Apego exagerado quando o tutor está em casa
Um detalhe importante: muitos desses comportamentos só acontecem na ausência do tutor. Câmeras domésticas ajudam bastante na identificação.
Por que isso acontece?
Alguns fatores podem contribuir:
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Mudanças na rotina (novo trabalho, volta ao presencial, mudança de horário)
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Mudança de casa
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Perda de um membro da família (humano ou outro animal)
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Adoção recente
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Histórico de abandono
Filhotes podem sofrer por ainda não terem aprendido a lidar com a autonomia. Já cães adotados podem carregar traumas anteriores.
O que não fazer
Diante da bagunça, é comum o tutor brigar ao chegar em casa. Porém, isso não resolve o problema. O animal não associa a bronca ao que fez horas antes. Ele pode apenas ficar mais ansioso ou com medo.
Também não é indicado sair escondido ou fazer despedidas longas e emocionadas. Isso reforça a ideia de que a separação é um evento dramático.
Como tratar?
A boa notícia é que a ansiedade de separação tem tratamento. Exige paciência, mas é possível melhorar muito o quadro.
Dessensibilização gradual
O ideal é ensinar o pet que ficar sozinho é seguro. Isso deve ser feito aos poucos: começar saindo por poucos minutos, retornar antes que ele entre em desespero e aumentar o tempo gradualmente.
A ideia é criar experiências positivas e controladas.
Enriquecimento ambiental
Deixar brinquedos interativos, petiscos em brinquedos recheáveis e desafios mentais ajuda o animal a associar a saída do tutor a algo positivo.
O enriquecimento reduz o tédio e ocupa a mente.
Exercício físico
Cães com energia acumulada tendem a apresentar mais comportamentos destrutivos. Passeios diários, brincadeiras e estímulo mental são fundamentais.
Um animal cansado — de forma saudável — relaxa com mais facilidade.
Independência dentro de casa
Muitos tutores reforçam, sem perceber, a dependência excessiva. O cão segue o dono pela casa toda, dorme sempre colado e recebe atenção constante.
Estimular momentos em que ele fique tranquilo em outro cômodo ajuda a construir autonomia emocional.
Ajuda profissional
Em casos moderados ou graves, é essencial procurar um médico-veterinário e, se possível, um profissional especializado em comportamento animal.
Em algumas situações, pode ser necessário tratamento medicamentoso temporário, sempre com prescrição veterinária.
E nos gatos?
Embora menos comentado, gatos também podem desenvolver ansiedade de separação. Os sinais incluem miados excessivos, perda de apetite e comportamentos destrutivos.
Como são mais discretos, o problema muitas vezes passa despercebido.
É possível prevenir?
Sim. Desde filhote, é importante ensinar o pet a ficar sozinho por pequenos períodos, evitar despedidas exageradas, não reforçar dependência excessiva e criar rotina previsível — a previsibilidade transmite segurança.
Um olhar empático
Ter um pet é também assumir a responsabilidade pelo seu bem-estar emocional.
E às vezes, o que ele mais precisa não é de bronca — mas de compreensão. 🐾
Miúcha Furtado
Miúcha Furtado é graduada em Medicina Veterinária pela Universidade Federal da Bahia e pós graduada no programa de especialização sob forma de Residencia no setor de Clínica Médica de Pequenos Animais com Ênfase em Oftalmologia Veterinária.
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