Obesidade é fator de risco para câncer, alerta oncologista
Especialista defende equilíbrio, vida saudável e combate a mitos sobre a doença
Por: Domynique Fonseca
15/01/2026 • 12:47 • Atualizado
A obesidade está entre os principais fatores de risco para o desenvolvimento do câncer e ainda é cercada por desinformação. O alerta foi feito pela oncologista clínica Hamanda Nery (@dra.hamandanery) durante entrevista ao programa Portal Esfera no Rádio, da Itapoan FM (97,5), nesta quinta-feira (15), apresentado por Luis Ganem e bancada.
Segundo a médica, muitos mitos acabam gerando medo e confusão na população, quando o foco deveria estar na informação correta e no equilíbrio.
“O que realmente falta é equilíbrio. Um estilo de vida saudável pode reduzir em até 40% o risco de desenvolver câncer”, afirmou.
Hamanda explicou que alimentação balanceada, prática regular de atividade física e controle do peso corporal são fatores decisivos na prevenção. Ela ressaltou que o consumo pontual de açúcar não é o vilão principal, mas sim o excesso que leva à obesidade.
“O problema não é o açúcar em si, é a obesidade. Pessoas obesas tendem a consumir mais carboidratos e isso favorece o desenvolvimento da doença”, destacou.
A oncologista também chamou atenção para hábitos que não admitem moderação, como o tabagismo.
“Cigarro não tem equilíbrio. Qualquer quantidade aumenta muito o risco de câncer”, disse. Outro ponto de alerta foi o consumo frequente de alimentos ultraprocessados, associado ao aumento significativo da incidência da doença.
Sobre a carne vermelha, Hamanda ponderou que o risco está no excesso, especialmente em relação ao câncer de intestino.
“Não é que não possa comer, mas não deve ser um consumo diário”, explicou. Ela também demonstrou preocupação com o uso indiscriminado de terapias hormonais, principalmente entre mulheres, sem acompanhamento médico adequado, o que pode elevar o risco de câncer de mama.
Oncologia Clínica no SUS
Durante a entrevista, a especialista destacou ainda os desafios enfrentados no diagnóstico e no tratamento da doença, sobretudo no sistema público de saúde. Segundo ela, a demora para exames, biópsias e encaminhamento ao oncologista compromete o diagnóstico precoce, fator essencial para aumentar as chances de cura.
Hamanda Nery ressaltou que o tratamento do câncer vai além do aspecto físico.
“A saúde mental é um pilar fundamental. Pacientes que têm apoio, aceitam melhor o tratamento e enfrentam a doença com mais equilíbrio tendem a responder melhor e apresentar menos efeitos colaterais”, afirmou.
A oncologista esclareceu que nem todo câncer é hereditário.
“Existem cânceres hereditários e não hereditários. Mesmo quando há mutações genéticas, isso não significa que a pessoa necessariamente desenvolverá a doença”, concluiu.
