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Exercício físico em excesso pode afetar química do cérebro, segundo estudo

Intensidade no treino gera oscilação da dopamina durante o período de repouso

Por: Ana Clara Cunes

30/10/2026 • 16:30 • Atualizado

Segundo um estudo de cientistas brasileiros, publicado em outubro na revista Neurosciense, realizar exercícios físicos em excesso pode alterar a regulação química do cérebro, causando a oscilação dos níveis de dopamina no hipocampo, região cerebral ligada à memória e à regulação das emoções.

Foto Exercício físico em excesso pode afetar química do cérebro, segundo estudo
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A pesquisa teve autoria de Alisson Luiz da Rocha e João Pedro Floriano e foi conduzida no estado de São Paulo, numa parceria entre a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A investigação se baseou no que acontece na sinalização monoaminérgica do hipocampo, principalmente da dopamina e da serotonina, quando o corpo é levado ao limite físico extremo, por uma única sessão de exercício ou por meses de treino excessivo.

Os resultados vão contra a teoria clássica da fadiga central, que afirma que o esgotamento físico ocorre por uma elevação excessiva da serotonina cerebral ou do aumento da diferença entre a serotonina e a dopamina. Nesse estudo, porém, os pesquisadores observaram que os níveis de serotonina no hipocampo não sofreram alterações significativas nem no exercício exaustivo e nem no excessivo. As respostas neuroquímicas observadas foram mudanças na dopamina, e não na serotonina.

Essa oscilação pode causar episódios frequentes de insônia, hipervigilância e recuperação deficiente observadas em atletas com sobretreinamento. Isso ocorre porque a dopamina promove o estado de alerta e vigília no sistema nervoso central, causando hiperatividade durante a fase de repouso.

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