“Congelar óvulos antes dos 35 aumenta chances de gravidez”, diz obstetra
Especialista explica fertilidade após os 35, menopausa e avanços da reprodução assistida
Por: Domynique Fonseca
08/04/2026 • 16:00
O planejamento da maternidade e os limites biológicos da fertilidade feminina foram tema de destaque na edição desta quarta-feira (8) do programa Portal Esfera no Rádio, da 97,5 FM. Durante entrevista ao apresentador Luis Ganem, a obstetra Adriana Monteiro (@adrianamonteiro_obstetra), esclareceu dúvidas comuns sobre gravidez tardia, menopausa e preservação da fertilidade.
Ao longo da entrevista, a médica enfatizou que o congelamento de óvulos é uma alternativa cada vez mais recomendada para mulheres que desejam adiar a maternidade. Segundo ela, o procedimento pode aumentar significativamente as chances de uma gravidez futura.
“Se você não quer engravidar agora ou pensa em ter filhos mais tarde, o ideal é guardar os óvulos o quanto antes. Antes dos 35 anos, melhor ainda”, afirmou.
A especialista também explicou que o método é indicado em diferentes situações, incluindo mulheres que irão iniciar tratamentos contra o câncer:
“Pacientes diagnosticadas com câncer, como de tireoide ou outros tipos, podem preservar seus óvulos antes do tratamento. Isso garante a possibilidade de engravidar após a remissão da doença."
Mudanças hormonais
Durante a conversa, Adriana Monteiro abordou ainda as mudanças hormonais que ocorrem com o avanço da idade, especialmente no período da perimenopausa, fase que antecede a menopausa e pode durar de cinco a dez anos. De acordo com ela, esse período é marcado por alterações físicas e emocionais, além da diminuição progressiva da ovulação.
“A mulher começa a apresentar sinais claros de declínio hormonal. Quando entra na menopausa, ou seja, fica um ano sem menstruar, não há mais possibilidade de engravidar de forma espontânea”, explicou.
A obstetra ressaltou que, embora existam relatos de gravidez em idades mais avançadas, esses casos estão associados a técnicas de reprodução assistida:
“Na literatura médica, não há registro de gravidez espontânea após a menopausa. Quando acontece, é por meio de fertilização in vitro, muitas vezes com óvulos ou embriões doados."
Fertilidade masculina
A médica também destacou que a fertilidade não é uma questão exclusiva das mulheres. Segundo ela, homens também apresentam queda na qualidade reprodutiva com o passar dos anos, especialmente após os 45.
“A fertilidade masculina também diminui, embora de forma mais lenta. É um fator que precisa ser considerado”, disse.
Outro ponto abordado foi a importância do acompanhamento médico e da informação. Para Adriana, o papel do ginecologista é fundamental na orientação das pacientes sobre o impacto da idade e as possibilidades disponíveis:
“Não significa que após os 35 a mulher não possa engravidar, mas pode haver mais dificuldade, principalmente se houver outros fatores associados."
A especialista reforçou que, além das técnicas médicas, manter hábitos saudáveis é essencial para quem deseja engravidar mais tarde.
“Alimentação equilibrada, atividade física e cuidado com a saúde emocional fazem toda a diferença. Uma gestação após os 40 exige mais do corpo, então é preciso estar preparada”, concluiu.
