“Canetas emagrecedoras revolucionaram tratamento”, diz endocrinologista
Médica alerta para riscos da automedicação e avanço da obesidade
Por: Domynique Fonseca
28/05/2026 • 13:00 • Atualizado
O avanço da obesidade, o uso crescente das chamadas “canetas emagrecedoras” e os impactos da má alimentação estiveram entre os temas discutidos no programa Portal Esfera, na 97,5 FM, nesta quinta-feira (28) apresentado por Luis Ganem. A entrevistada foi a endocrinologista Dra. Lilian Elias Chehade (@draliliancheahade), especialista em diabetes, obesidade e doenças hormonais.
A médica afirmou que a obesidade se tornou uma epidemia e relacionou o aumento dos casos aos hábitos da vida moderna.
“Existe o ambiente obesogênico, associado ao sedentarismo, ao estresse e também à genética”, explicou.
Segundo a endocrinologista, fatores hereditários podem influenciar diretamente na dificuldade para perder peso, embora isso não signifique que a obesidade seja uma condição sem controle.
“A genética pesa bastante. Existem pessoas que têm muito mais dificuldade para emagrecer. Mas isso não quer dizer que a pessoa vá permanecer obesa para sempre”, afirmou.
Outro ponto abordado durante a entrevista foi o aumento de pacientes com deficiência de vitaminas e minerais. A médica destacou que a falta de vitamina B12 está entre as mais frequentes e pode provocar sintomas como cansaço excessivo, perda de força muscular, dificuldade de concentração e lapsos de memória.
Ela também comentou sobre a deficiência de vitamina D, frequentemente associada à baixa exposição solar e a hábitos alimentares inadequados.
“Apenas pegar sol muitas vezes não corrige a deficiência. Em alguns casos, é necessário acompanhamento médico, exames e suplementação adequada”, disse.
Ao comentar o uso de suplementos vendidos livremente em farmácias, a endocrinologista alertou que sintomas como queda de cabelo e fadiga não devem ser tratados apenas com automedicação.
“É preciso investigar. Muitas vezes existe deficiência de ferro, vitaminas ou outros problemas que precisam ser avaliados em exames laboratoriais”, explicou.
A entrevista também tratou sobre hábitos alimentares e jejum prolongado. Segundo a médica, pular refeições sem orientação pode trazer prejuízos metabólicos e o mais importante é manter equilíbrio e reeducação alimentar.
“Cada paciente tem uma realidade. Não existe fórmula pronta. O ideal é procurar manter uma alimentação organizada, evitar longos períodos sem comer e investir em hábitos saudáveis”, afirmou.
Apesar disso, a médica fez um alerta sobre o uso indiscriminado das chamadas canetas emagrecedoras e destacou que os medicamentos precisam de indicação e acompanhamento profissional.
“Cada paciente tem um perfil e uma dosagem adequada. Não é um tratamento para ser iniciado sem avaliação médica”, ressaltou.
Segundo a especialista, o consultório tem recebido cada vez mais pessoas interessadas nas medicações, inclusive pacientes sem indicação clínica.
“Muita gente procura querendo perder dois ou três quilos. Nesses casos, normalmente não há indicação. O tratamento passa por alimentação, atividade física, sono e controle do estresse”, afirmou.
A endocrinologista também explicou que os medicamentos costumam ser utilizados de forma contínua em pacientes com obesidade e diabetes tipo 2, por se tratarem de doenças crônicas.
“Quando existe necessidade de interromper, isso não deve acontecer de forma abrupta. O processo precisa ser gradual, porque há risco de reganho de peso e piora metabólica”, concluiu.
