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Bronzeado não é saúde: dermatologista alerta para riscos e mitos do sol no verão

Em entrevista ao Portal Esfera no Rádio, Flávia Bulhões explica cuidados reais com a pele e desmonta falsas soluções populares

Por: Marcos Flávio Nascimento

13/01/202615:00Atualizado

A dermatologista Flávia Bulhões foi a convidada do programa Portal Esfera no Rádio desta terça-feira (13) e trouxe um alerta direto para quem associa verão, sol e bronzeado à ideia de saúde.

Foto Bronzeado não é saúde: dermatologista alerta para riscos e mitos do sol no verão
Foto: Lorena Bomfim / Portal Esfera

Durante a entrevista, a especialista explicou que, apesar de culturalmente valorizado, o bronzeamento representa um processo de agressão à pele e exige cuidados que vão muito além de receitas caseiras ou tendências populares.

Logo no início da conversa, Flávia chamou atenção para o risco da radiação ultravioleta, especialmente a UVB, que atinge seu pico entre 10h e 15h, período em que a exposição solar deve ser evitada. Segundo ela, a justificativa comum de “pegar sol para produzir vitamina D” não se sustenta quando há exagero.

“Pequenas exposições ocasionais, de cinco a trinta minutos, duas vezes por semana, já são suficientes para a conversão da vitamina D. Isso não justifica ficar exposto ao sol do meio-dia por uma ou duas horas”, afirmou.

Alimentação ajuda, mas não faz milagre

Durante o bate-papo, a dermatologista também esclareceu o papel de alimentos ricos em betacaroteno, como cenoura, beterraba e frutas vermelhas, frequentemente associados à ideia de “bronzeado saudável”. Segundo ela, esses alimentos podem auxiliar como antioxidantes, mas não substituem a proteção adequada da pele.

“Esses alimentos ajudam, sim, como antioxidantes, mas de forma complementar. Eles não protegem a pele de maneira robusta contra a radiação. O mais importante continua sendo o uso correto do protetor solar”, destacou.

Flávia reforçou que nenhuma alimentação, por melhor que seja, anula os danos causados pela exposição excessiva ao sol. Para ela, confiar apenas em sucos ou receitas naturais cria uma falsa sensação de segurança.

“Não é mito, mas também não é solução. Comer cenoura ou beterraba não autoriza ninguém a se expor ao sol sem proteção”, pontuou.

Óleos, receitas caseiras e riscos invisíveis

Outro ponto que gerou alerta foi o uso de óleos e substâncias caseiras na pele durante a exposição solar. A dermatologista explicou que alguns produtos podem ser fotossensibilizantes, causando queimaduras, vermelhidão, bolhas e dermatites.

“Substâncias cítricas como limão e laranja, além de algumas plantas, podem causar queimaduras quando entram em contato com o sol. E óleos, como o de coco, não são recomendados, porque o calor intenso pode agravar a inflamação da pele”, explicou.

Ela ressaltou que, mesmo quando há uso de protetor solar, misturar diferentes produtos sem orientação pode aumentar o risco de reações adversas.

“Não é indicado aplicar várias substâncias e se expor ao sol. O básico bem feito ainda é o mais seguro”, disse.

Bronzeamento nunca é saudável

Um dos momentos mais diretos da entrevista foi quando Flávia abordou o tema do bronzeamento, inclusive os chamados “naturais” ou em horários considerados mais seguros. Para ela, não existe bronzeado saudável do ponto de vista científico.

“Qualquer tipo de bronzeado significa que houve dano celular na pele, um dano ao DNA. Isso aumenta o risco de câncer de pele, além de acelerar o envelhecimento, causar manchas e flacidez”, alertou.

Segundo a dermatologista, a única alternativa aceita pelas sociedades médicas para quem busca aparência bronzeada são os autobronzeadores, que funcionam como uma maquiagem temporária, sem provocar agressão celular.

“O correto mesmo é não bronzear. Dá para curtir praia e piscina, mas com responsabilidade, proteção e sem buscar a marquinha”, reforçou.

Proteção é conjunto, não produto isolado

Flávia Bulhões também destacou que a proteção da pele no verão depende de um conjunto de cuidados internos e externos. Hidratação adequada, alimentação leve, uso correto de protetor solar, reaplicação a cada duas horas e acessórios como chapéu, óculos escuros e sombra natural fazem parte da estratégia.

“Não existe um único produto milagroso. É um conjunto de hábitos que protege a pele hoje e preserva a saúde no futuro”, concluiu.

A entrevista reforçou que, no verão, informação é tão importante quanto proteção, e que a estética do bronzeado não pode se sobrepor aos cuidados com a saúde a longo prazo.