Logo

Cafeína pode estar ligada a menor risco de demência, indica estudo

Pesquisa observou o declínio cognitivo mais lento entre consumidores da bebida

Por: Redação

10/02/202619:00

A ingestão moderada de bebidas com cafeína pode estar ligada a uma redução no risco de demência e a um declínio cognitivo mais lento ao longo do envelhecimento, segundo uma pesquisa publicada na segunda-feira (9), no periódico científico The Journal of the American Medical Association (JAMA) Network. O trabalho reuniu dados de quase 132 mil pessoas acompanhadas por até quatro décadas.

Foto Cafeína pode estar ligada a menor risco de demência, indica estudo
Foto: Ilustrativa/Marcelo Camargo/Agência Brasil

Demência é uma doença caracterizada por sintomas como perda frequente de memória, repetição de perguntas, dificuldade para lembrar nomes e esquecimento de compromissos. Dados do Ministério da Saúde indicam que até 45% dos casos podem ser prevenidos ou adiados com mudanças no estilo de vida e controle de fatores de risco.

Leia mais:
Vacina contra a dengue começa a ser disponibilizada no SUS
Covid-19 mata 29 pessoas em janeiro no Brasil
OMS confirma nova morte por vírus Nipah em Bangladesh

Já no estudo, os resultados mostram que participantes com maior ingestão da substância apresentaram probabilidade cerca de 18% menor de desenvolver o quadro quando comparados àqueles que consumiam pouca ou nenhuma quantidade. O acompanhamento inclui homens e mulheres observados desde os anos 1980.

Como a pesquisa foi realizada

A equipe do Hospital Mass General Brigham, na cidade de Boston, em Massachusetts, estimou o consumo por meio de questionários alimentares periódicos que avaliam café, chá e outras fontes de cafeína. 

Durante o seguimento, cerca de 11 mil voluntários desenvolveram demência, enquanto parte do grupo passou por avaliações de memória, atenção e testes cognitivos por telefone ao longo dos anos.

As análises indicaram desempenho ligeiramente melhor em algumas funções do cérebro entre indivíduos que ingeriam bebidas cafeinadas, padrão que não apareceu entre aqueles que optaram por versões descafeinadas. Os efeitos mais evidentes surgiram em níveis considerados moderados — duas a três xícaras de café por dia ou uma a duas de chá — sem ganhos adicionais em quantidades maiores.

Por se tratar de um estudo observacional, não é possível afirmar relação direta de causa e efeito. Segundo o autor principal, Yu Zhang, a associação permaneceu semelhante independentemente da predisposição genética. 

“Observamos resultados consistentes independentemente do risco genético, o que sugere que o consumo de cafeína pode ter um papel semelhante em diferentes perfis de risco”, afirmou.

 Diante de tais justificativas, novas pesquisas ainda são necessárias para confirmar os mecanismos envolvidos.