Seis policiais viram réus após denúncia do MP por mortes em Porto Seguro
Investigação aponta que vítimas foram baleadas em circunstâncias sem confronto
Por: Jaísa de Almeida
16/07/2026 • 18:40
Quatro policiais militares e dois policiais civis foram denunciados pelo Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA) à Justiça, nesta quinta-feira (16), por suspeita de envolvimento na morte de dois homens durante a Operação Travessia, realizada em 10 de maio de 2025, no distrito de Caraíva, em Porto Seguro. O órgão também solicitou o afastamento cautelar dos seis agentes de suas funções públicas enquanto a ação penal estiver em andamento.
Os policiais são acusados por dois homicídios qualificados, com as qualificadoras de motivo torpe, emprego de meio que resultou perigo comum, recurso que dificultou a defesa das vítimas e uso de arma de fogo de uso restrito. Segundo o MPBA, os agentes denunciados faziam parte de uma equipe operacional formada por integrantes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), da Polícia Militar, e da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core), da Polícia Civil.
As investigações apontam que o grupo chegou ao local utilizando vestimentas táticas, fortemente armado e com atuação coordenada.
Investigação aponta mortes sem confronto
Conforme o Procedimento Investigatório Criminal (PIC), uma das vítimas foi atingida por diversos disparos de arma de fogo em uma área pública, sem possibilidade de reação ou defesa. A segunda vítima teria sido abordada durante a operação, passou por revista e, em seguida, foi baleada. O laudo pericial também indicou a presença de lesões compatíveis com agressões físicas anteriores aos tiros.
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Além dos homicídios, os dois policiais civis também foram denunciados pelo crime de fraude processual, previsto no artigo 347 do Código Penal. Segundo o Ministério Público, os agentes teriam realizado ações para modificar artificialmente o cenário após os fatos.
O MPBA informou ainda que eventuais condutas relacionadas à fraude processual atribuídas aos policiais militares serão analisadas pela Vara de Auditoria Militar, responsável pelo julgamento de crimes dessa natureza envolvendo integrantes das forças militares.
Na denúncia, o órgão afirma que os elementos reunidos durante a investigação indicam que as mortes ocorreram fora de uma situação concreta de confronto e que as vítimas estavam em condição de vulnerabilidade diante da atuação dos agentes.
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