Salvador tem apenas uma praia liberada para banho às vésperas do Carnaval
Levantamento do Inema aponta contaminação por bactérias em quase todo o litoral da capital
Por: Redação
24/01/2026 • 08:43 • Atualizado
Com a chegada do Carnaval e o aumento esperado no fluxo de turistas, Salvador enfrenta um cenário preocupante no litoral. De acordo com o Boletim de Balneabilidade divulgado nesta sexta-feira (23) pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), apenas uma praia da capital baiana está própria para banho. Dos 38 pontos monitorados, somente Cantagalo apresentou condições adequadas para atividades recreativas.
O relatório indica que a maior parte das praias analisadas possui níveis de contaminação acima do permitido pela legislação ambiental. Entre os trechos classificados como impróprios estão áreas bastante frequentadas por moradores e visitantes, como Porto da Barra, Farol da Barra, Ondina, Rio Vermelho, Stella Maris, Itapuã, Flamengo, Piatã e Patamares, além de pontos em bairros como São Tomé de Paripe, Bonfim, Boa Viagem, Armação e Boca do Rio.
Em diversas praias, a situação é crítica em mais de um ponto de coleta. Na Barra, por exemplo, tanto a área próxima ao Barravento quanto o trecho da Rua Dias D’Ávila foram considerados inadequados. O mesmo ocorre em Ondina, Rio Vermelho, Amaralina, Itapuã e Flamengo, onde diferentes trechos apresentaram resultados negativos.
Excesso de bactérias e influência das chuvas
A classificação de imprópria ocorre quando as análises apontam concentração elevada da bactéria Escherichia coli, indicadora de contaminação fecal. Para que uma praia seja considerada segura, a legislação exige que, em pelo menos 80% das amostras coletadas ao longo de cinco semanas, os índices não ultrapassem 800 unidades por 100 mililitros de água, o que não foi observado na maioria dos pontos em Salvador.
Segundo o Inema, o aumento da contaminação está associado à maior presença de banhistas durante os feriados prolongados de fim de ano e às chuvas registradas recentemente. Esses fatores contribuem para o escoamento de resíduos orgânicos para rios, lagoas e para o mar, comprometendo a qualidade da água.
O instituto também ressalta que o problema pode ser mais antigo. Entre junho e o início de novembro do ano passado, o monitoramento da balneabilidade foi suspenso por questões contratuais, deixando a população sem informações atualizadas sobre os riscos à saúde.
A Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa) foi procurada para comentar as críticas, mas não respondeu até o fechamento desta edição.
Cuidados para quem vai à praia
Apesar do cenário desfavorável, o diretor-geral do Inema, Eduardo Topázio, afirma que a expectativa é de melhora nas próximas semanas, com a redução do volume de resíduos acumulados. Ele orienta, no entanto, que a população fique atenta às condições visíveis da água.
“Aparência turva, lixo flutuando, proximidade de rios ou períodos chuvosos são indicativos de risco. Nessas situações, o ideal é evitar o banho”, recomenda.
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