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"O 2 de Julho foi a verdadeira Independência do Brasil", diz pesquisador

Historiador destaca o protagonismo baiano na expulsão das tropas portuguesas

Por: Domynique Fonseca

01/07/202613:33Atualizado

O significado histórico do 2 de Julho e a importância da data para a consolidação da Independência do Brasil foram tema da entrevista concedida pelo professor e pesquisador Vinicius Jacob ao programa Portal Esfera no Rádio, na 97,5 FM, apresentado por Luis Ganem, nesta quarta-feira (1º). Especialista em História da Bahia, Jacob defendeu que a expulsão definitiva das tropas portuguesas, em 1823, foi decisiva para garantir a independência do país e criticou o pouco espaço dado ao episódio na história ensinada nas escolas.

Historiador comenta sobre a tradição do 2 de Julho
Foto: Lorena Bomfim/ Portal Esfera

Para Jacob, o processo que culminou no 7 de Setembro de 1822 teve características diferentes da mobilização ocorrida na Bahia.

"É importante falar sobre o 2 de Julho porque a independência oficial, celebrada em 7 de Setembro, foi fruto de um acordo político. Já o 2 de Julho teve participação popular, mobilização da sociedade, de jornalistas, da maçonaria e, principalmente, do povo, incluindo pessoas escravizadas, que participaram da expulsão definitiva dos portugueses", afirmou.

Segundo o pesquisador, a permanência das tropas portuguesas na Bahia representava uma tentativa de manter parte do território brasileiro sob domínio da Coroa Portuguesa mesmo após a proclamação da independência.

Recôncavo foi decisivo para o desfecho

Durante a entrevista, Vinicius Jacob explicou que o Recôncavo Baiano teve papel estratégico para o resultado do conflito. De acordo com ele, cidades como Cachoeira, Santo Amaro e Itaparica abasteciam Salvador com alimentos e suprimentos, fator que acabou enfraquecendo a resistência portuguesa.

"Se fechasse Salvador, os portugueses ficavam sem abastecimento. O Recôncavo fornecia alimentos para a capital. Houve um grande bloqueio que impediu a chegada de comida e medicamentos. Isso foi decisivo para que as tropas deixassem a Bahia", destacou.

Na avaliação do historiador, ao contrário do que muitos imaginam, o processo não foi marcado apenas por confrontos armados:

"O heroísmo existiu, mas a estratégia de isolamento da cidade foi determinante para a retirada das tropas portuguesas."

 Vinicius Jacob

Vinicius Jacob


Conflitos marcaram a formação do Brasil

Ao comentar o contexto histórico da época, Jacob afirmou que o país vivia um período de intensas disputas políticas e sociais. Para ele, a independência brasileira não ocorreu de forma pacífica, como frequentemente é retratada.

O pesquisador lembrou movimentos como a Revolta dos Búzios, em 1798, e destacou que diferentes regiões do Brasil também registravam revoltas contra o domínio português e contra as estruturas de poder existentes.

Segundo ele, esses conflitos revelam que a construção da independência foi resultado de disputas e mobilizações em diversas partes do território nacional.

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Tradição perdeu espaço ao longo dos anos

Além do contexto histórico, Vinicius Jacob também avaliou as mudanças nas comemorações do 2 de Julho ao longo das últimas décadas. Na visão do pesquisador, a participação das escolas e dos desfiles cívicos perdeu força.

Ele recordou a presença das fanfarras de colégios tradicionais da capital, que, segundo ele, eram protagonistas das celebrações.

"Hoje o ato está mais politizado. Isso faz parte da democracia, mas aquele protagonismo das escolas, das fanfarras e do civismo foi se perdendo ao longo do tempo", completou.