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“Não temos intenção de greve, mas ela pode acontecer”, diz sindicalista

Categoria ainda aposta no diálogo e cobra avanço nas negociações com empresários

Por: Domynique Fonseca

11/05/202613:14Atualizado

A possibilidade de uma greve dos rodoviários em Salvador voltou a ganhar força nesta segunda-feira (11). Durante entrevista ao programa Portal Esfera no Rádio, na rádio 97,5 FM, apresentado por Luis Ganem, o presidente em exercício do Sindicato dos Rodoviários da Bahia, Fábio Primo, afirmou que a categoria segue em negociação, mas já trabalha com a possibilidade de uma paralisação por tempo indeterminado caso não haja acordo na campanha salarial de 2026.

Foto “Não temos intenção de greve, mas ela pode acontecer”, diz sindicalista
Foto: Lorena Bomfim/ Portal Esfera

Segundo Fábio Primo, o sindicato decidiu adiar a publicação do edital de greve para ampliar o prazo de negociação com empresários e representantes do município.

“A gente mostrou vontade de negociar. Não vamos publicar ainda o edital na sexta-feira. Vamos deixar para publicar na próxima segunda-feira, se for necessário. Então, ainda temos essa semana toda e mais alguns dias para tentar evitar a greve”, afirmou.

O sindicalista explicou que, caso o edital seja publicado, ainda será necessário cumprir o prazo legal de 72 horas antes do início da paralisação.

“Temos dias suficientes para tentar evitar a greve. Até quarta ou quinta-feira da próxima semana, entre os dias 20 e 21, ainda existe espaço para diálogo”, disse.

Nos últimos dias, Salvador registrou uma série de mobilizações promovidas pela categoria. Na quinta-feira (7), o atraso na saída dos ônibus afetou diversas regiões da capital, especialmente áreas atendidas pelas plataformas de Pirajá e Campinas de Pirajá, impactando bairros como Cabula, Fazenda Grande, Tancredo Neves, Águas Claras e Aeroporto.

Antes disso, os rodoviários também realizaram a operação “Todos os ônibus na faixa da direita”, reduzindo a velocidade dos coletivos como forma de protesto.

De acordo com o sindicato, as mobilizações ocorreram após quatro rodadas de negociação sem acordo com os empresários do setor. A categoria reivindica reajuste salarial, aumento do ticket alimentação e mudanças na jornada de trabalho.

Apesar dos transtornos registrados nos últimos atos, Fábio Primo afirmou que as próximas assembleias serão organizadas para evitar novos impactos ao sistema de transporte.

“Por isso fazemos assembleia em dois turnos. Às 9h para quem trabalha à tarde e às 15h para quem trabalha pela manhã. Assim, evitamos afetar o transporte. Nós nos comprometemos com o prefeito que, enquanto estivermos negociando, não vamos prejudicar a população”, declarou.

 Reprodução/ Secom PMS

Reprodução/ Secom PMS


Mesmo assim, o presidente do sindicato reforçou que a greve não está descartada.

“Estou falando publicamente aqui: a greve pode acontecer sim. Não adianta só os rodoviários quererem negociar. É preciso que os empresários também façam a parte deles”, afirmou.

Segundo ele, a categoria não deseja a paralisação, mas cobra avanço nas propostas apresentadas pelas empresas.

“Não temos intenção de fazer greve, mas também não vamos ficar aguardando eternamente. Se houver sinal de negociação, podemos esperar mais alguns dias. Mas, se não houver avanço, a greve pode começar no fim da próxima semana”, completou.

Pressão diária e cobranças no sistema

Durante a entrevista, Fábio Primo também comentou as cobranças enfrentadas pelos trabalhadores no dia a dia e afirmou que os rodoviários também sofrem com a pressão operacional do sistema.

“Se a viagem está marcada para sair às 6h30, eu não posso sair às 6h20 ou às 6h25 porque sou punido. Posso receber advertência ou suspensão. Então, a população precisa entender que o usuário é tão vítima quanto o rodoviário”, declarou.

A paralisação prevista para esta terça-feira (12) acabou sendo suspensa após reunião entre representantes do sindicato, o prefeito Bruno Reis (União Brasil) e o secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza. Mesmo com a suspensão temporária do movimento, as negociações seguem em andamento.