Prefeituras do interior destinam milhões ao São João; veja ranking dos maiores gastos
Luis Eduardo Magalhães, Conceição do Jacuípe e Serrinha lideram
Por: Paula Eduarda Araújo
07/06/2026 • 12:00
Fileiras de bandeirolas coloridas, fogueira, balões e muita sanfona. Todo ano a tradição junina pede muita forró e mobiliza a construção de imensas estruturas para oferecer os festivais de São João ao redor da Bahia, mas, enquanto as tradições vão aos poucos mudando, no interior do estado as prefeituras movimentaram milhões em recursos públicos para fazer o evento de 2026 acontecer.
Um levantamento feito pelo Portal Esfera, com dados do portal da transparência do Ministério Público, identificou que entre os dez municípios que mais gastaram para realizar o São João 2026, oito deles usaram 100% destinados pelas Prefeituras, sem nenhuma participação dos Executivos estadual ou federal.
A cidade de Luis Eduardo Magalhães, localizada no extremo oeste baiano, lidera o ranking com folga, tendo destinado em torno de R$ 6,4 milhões para a contratação dos artistas que participarão dos festejos juninos.
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Na sequência, a Prefeitura de Conceição do Jacuípe pagou R$5,9 milhões, ao passo que o São João de Serrinha custou R$ 5 milhões aos cofres públicos municipais. O topo da lista tem ainda Riachão do Jacuípe, cujo investimento de R$ 4,8 milhões teve participação do governo estadual, e Tucano, que assim como as três primeiras cidades contou inteiramente com recursos da prefeitura para aportar R$ 4,7 milhões em seu festival junino.
Confira a lista das 10 cidades que mais gastaram no São João da Bahia 2026
| Cidades | Gastos | Origem dos recursos |
| Luis Eduardo Magalhães | R$ 6.416.000,00 | Recurso 100% da prefeitura |
| Conceição do Jacuípe | R$ 5.965.000,00 | Recurso 100% da prefeitura |
| Serrinha | R$ 5.015.000,00 | Recurso 100% da prefeitura |
| Riachão do Jacuípe | R$ 4.810.000,00 |
R$ 4.590.000 Prefeitura R$ 220.000 governo estadual |
| Tucano | R$ 4.731.000,00 | Recurso 100% da prefeitura |
| Santo Estevão | R$ 4.651.000,00 | Recurso 100% da prefeitura |
| Iraquara | R$ 4.281.000,00 | Recurso 100% da prefeitura |
| Euclides da Cunha | R$ 4.120.000,00 | Recurso 100% da prefeitura |
| Senhor do Bonfim | R$ 4.103.000,00 | Recurso 100% da prefeitura |
| Queimadas | R$ 3.837.000,00 |
R$ 3.361.000,00 Prefeitura R$ 476.000,00 governo federal |
Fonte: Portal da transparência do Ministério Público da Bahia
Os festivais juninos deste ano marcam também uma mudança significativa para a capital do estado, Salvador, que teve a tradicional festa no Parque de Exposições cancelada pelo governo estadual em maio. A mudança, conforme explicou a Secretaria de Cultura da Bahia à época, foi parte de uma estratégia para descentralizar o evento.
Dessa forma, os investimentos que nos anos anteriores eram destinados à festa no Parque de Exposições, foram realocados para fortalecer os festejos juninos em outros bairros de Salvador e também nas cidades do interior.
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No quesito recursos, o São João de Salvador acontece na contramão das cidades que lideram o ranking de gastos. Os festejos na capital custaram R$ 1.420 milhões aos cofres públicos, sendo R$ 1.070 milhões investimento do Executivo Estadual e outros R$ 350.000 aporte do Executivo Federal, sem participação da Prefeitura.
Contratações mais bem pagas
Nos últimos anos, um tema tem tomado conta das discussões sobre as festas de São João: a perda da tradição do forró. Isto porque, apesar do ritmo musical ser característico do período, sobretudo na região Nordeste, os artistas do gênero perdem mais espaço nos festejos a cada ano. Esse fator se comprova ao observar as atrações mais bem pagas pelas Prefeituras que lideram a lista de gastos.
Em Luis Eduardo Magalhães, por exemplo, o cantor João Gomes, que ficou famoso no ritmo conhecido como piseiro, recebeu R$ 750 mil para uma apresentação na cidade. Já o cantor de pagode baiano Leo Santana foi a segunda atração mais bem paga (R$ 650 mil), em seguida vem a banda Calcinha Preta (R$ 646 mil), o cantor Henry Freitas (R$ 600 mil) e a sertaneja Mari Fernandez (R$ 520 mil).
Já em Conceição do Jacuípe, a Prefeitura apostou em mais atrações sertanejas e investiu R$ 905 mil no show da dupla Zé Neto e Cristiano. Além deles, outra dupla sertaneja, Maiara e Maraísa, vão cantar no São João da cidade por R$ 794 mil, enquanto a banda Calcinha Preta receberá R$ 646 mil. Por fim, o cantor Rey Vaqueiro e a banda Saia Rodada foram contratados por R$ 500 mil e R$ 465 mil, respectivamente.
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Seguindo uma linha um pouco mais diferente, a lista dos cinco artistas mais bem pagos pelo Executivo Municipal de Serrinha não tem nenhum nome tradicional do São João e nem carimbado na cultura do período especificamente. Os cantores Thiaguinho, um dos maiores nomes do samba carioca, e Pablo foram contratados por R$ 700 mil cada. Em seguida, Zé Vaqueiro participará do evento por R$ 600 mil, enquanto os cantores Zé Felipe e Rey Vaqueiro receberão R$ 500 mil cada um.
Acordo com o Ministério Público da Bahia
No final de maio deste ano, um novo capítulo de São João da Bahia 2026 começou quando o Ministério Público da Bahia anunciou ter feito um acordo com os artistas que tocarão nos festejos para reduzir os gastos públicos.
O órgão afirmou que a mobilização foi voluntária e conjunta, resultando na diminuição dos cachês em cerca de 180 contratos firmados. A estimativa do MPBA é de que a ação tenha gerado uma economia de R$ 8,8 milhões aos cofres públicos.
Logo de início, a instituição informou que artistas como a Toque Dez, Solange Almeida, Igor Kannario, Batista Lima, Adelmário Coelho, Caviar com Rapadura e Forrós dos Plays não só assinaram os contratos de redução, como consideraram a mobilização relevante.
No entanto, o público baiano foi pego de surpresa na terça-feira (3), quando o cantor Flávio José, um dos maiores nomes reconhecidos no forró nacionalmente, emitiu um pronunciamento afirmando que o cancelamento de todos os seus shows no São João da Bahia.
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A razão, segundo o artista, foi justamente a redução de seu cachê pelo MPBA. O forrozeiro reclamou sobre a diferença de tratamento para com os cantores de forró e artistas de fora do gênero que são contratados para o São João e, segundo ele, recebem "rios de dinheiro".
"É de um desrespeito sem tamanho. Por esse motivo não irei à Bahia este ano. Lamentável, deixei de vender minhas datas para estados que realmente me valorizam. Priorizei a Bahia durante toda minha carreira e hoje recebo essa informação como gratidão que o estado me devolve", escreveu Flávio José nas redes sociais do São João da Bahia.
Em contraponto, Rita Tourinho, a promotora de Justiça e coordenadora do Centro de Apoio de Defesa do Patrimônio Público (Caopam), se mostrou surpresa com a decisão e disse que tudo se tratou de uma "falta de diálogo" com o empresário do forrozeiro. Ela reforçou que a atuação do MPBA seguiu critérios objetivos e não foi direcionada ao cantor especificamente.
De fato, os dados do portal da transparência do MPBA demonstram essa realidade, visto que artistas de fora do gênero, como Pablo (11 shows) e Tayrone (11 shows) receberão alguns dos cachês mais altos entre todas as atrações, na soma total de todos os seus cachês pagos municípios baianos. Os valores chegam a R$ 7,7 milhões e R$ 4,4 milhões, respectivamente.
A soma total dos pagamentos totais que a dupla sertaneja Zé Neto e Cristiano (três shows) e o pagodeiro Leo Santana (quatro shows) devem ganhar nos festejos, por exemplo, ultrapassa a casa dos R$ 2 milhões. Já o também pagodeiro Igor Kannário (quatro shows) deve receber ao final do São João cerca de R$ 1,150 milhão, conforme os dados do MP.
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