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Tradição das ruas enfeitadas busca fôlego para voltar em Salvador

Moradores do Conjunto Pirajá se mobilizam para decorar as ruas para o São João e a Copa, mas enfrentam desafios

Por: Domynique Fonseca

05/06/202610:00

As bandeirolas começam a aparecer timidamente em algumas ruas de Salvador, anunciando a chegada de duas das celebrações mais aguardadas pelos brasileiros: a Copa do Mundo e o São João. No entanto, o cenário está longe daquele visto em décadas passadas, quando comunidades inteiras se reuniam para transformar ruas e praças em verdadeiros corredores de cores e festa.

Foto Tradição das ruas enfeitadas busca fôlego para voltar em Salvador
Foto: Leitor do Portal Esfera

No Conjunto Pirajá, um grupo de moradores decidiu resgatar a tradição e iniciou a decoração de uma área próxima ao final de linha do bairro. A iniciativa, porém, tem revelado um desafio cada vez mais comum em diversas localidades: a dificuldade de reunir apoio financeiro e mão de obra para manter viva uma prática que marcou gerações.

A mobilização é liderada por poucos moradores, que vêm buscando materiais e voluntários para concluir a ornamentação antes do início dos festejos juninos. Segundo William, um dos envolvidos na organização, a participação da comunidade ainda está abaixo do esperado.

“Financeiramente e na mão de obra está sendo muito complicado. Hoje a decoração está sendo feita por três ou quatro pessoas. Muita gente gosta de ver tudo bonito, mas na hora de ajudar acaba sendo mais difícil”, relatou.

Apesar das dificuldades, os organizadores conseguiram dar início ao projeto com o apoio de integrantes de um bloco local, do conselho de moradores e de comerciantes da região. O trabalho inclui a instalação de bandeirolas e outros elementos típicos do período junino.

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Tradição perde força em alguns bairros

Durante muitos anos, a ornamentação das ruas para a Copa do Mundo e para o São João foi uma marca registrada de diversos bairros de Salvador. Em algumas localidades, moradores promoviam verdadeiras competições informais para ver qual rua ficaria mais bonita durante o período festivo.

Para William, esse espírito coletivo perdeu força ao longo do tempo. Ele lembra que a união entre os festejos juninos e o clima de Copa costumava mobilizar um número muito maior de pessoas.

“Antigamente, todo mundo queria deixar sua rua mais bonita que a outra. Quando tinha Copa do Mundo junto com o São João, era uma união perfeita. Hoje vejo poucas ruas enfeitadas e muita gente desanimada”, afirmou.

A percepção do morador reflete uma mudança observada em diferentes comunidades, onde fatores como custos, falta de engajamento e mudanças nos hábitos de convivência têm impactado a realização de iniciativas coletivas.

Esforço para manter a cultura popular

Mesmo diante dos obstáculos, os organizadores pretendem concluir a decoração nos próximos dias. A expectativa é que o visual desperte o interesse de outros moradores e incentive novas adesões ao projeto.

Mais do que preparar o bairro para os festejos, a iniciativa busca preservar uma tradição que faz parte da memória afetiva de muitas famílias. Entre bandeirolas, fitilhos e o esforço de poucos voluntários, a ornamentação das ruas segue como símbolo de uma cultura popular que resiste, ainda que com mais dificuldades do que no passado.

Enquanto a Copa do Mundo de 2026 se aproxima e o São João toma conta do calendário nordestino, moradores do Conjunto Pirajá apostam que a força da comunidade ainda pode ajudar a manter viva uma tradição que atravessa gerações.