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Fósseis podem revelar segredos do câncer

Proteínas fósseis revelam novas pistas

Por: Ana Beatriz Fernandez Martinez

25/06/202517:00

Quando ouvimos falar em dinossauros, geralmente pensamos em criaturas gigantescas e poderosas, como as vistas nos filmes ou em esqueletos expostos em museus. Mas esses seres extintos há milhões de anos podem ir além da paleontologia: eles podem também trazer respostas sobre o câncer.

imagem de um fossil de dinossauro
Foto: repdrodução/freepik

Tradicionalmente, os estudos sobre dinossauros se concentram nos ossos, que ajudam a entender seu tamanho, forma, comportamento e alimentação. No entanto, um novo enfoque vem ganhando destaque. O professor Justin Stebbing, da Universidade de Cambridge, publicou um artigo no site The Conversation apontando como o estudo dos tecidos moles preservados em fósseis pode oferecer informações valiosas sobre a origem e o comportamento do câncer.

Diferente do DNA, que se degrada com o tempo, certas proteínas dos tecidos moles podem permanecer preservadas por milhões de anos. Isso abre uma nova janela de pesquisa: a análise de tumores antigos em dinossauros e suas possíveis defesas contra a doença.

Stebbing destaca que o câncer não é uma condição exclusiva da vida moderna. Na teoria, animais de grande porte e com vida longa, como baleias e elefantes, teriam maior risco de desenvolver tumores. No entanto, muitos desenvolveram defesas eficazes. Os elefantes, por exemplo, possuem várias cópias do gene TP53, que ajuda a suprimir tumores. Já a baleia-boreal, que pode viver mais de dois séculos, tem um sistema altamente eficiente de reparo do DNA — um fator crucial na prevenção do câncer.

Seguindo essa lógica, os dinossauros, por serem animais enormes, também poderiam ter desenvolvido mecanismos naturais de proteção.

Há evidências de que nem todos estavam imunes. Fósseis de espécies como Tyrannosaurus rex e Telmatosaurus já apresentaram sinais de tumores, demonstrando que o câncer existia mesmo entre esses colossos.

Foi justamente um fóssil de Telmatosaurus transsylvanicus, encontrado na Romênia em 2016, que chamou a atenção de Stebbing. O dinossauro apresentava um tumor na mandíbula, e o professor ficou intrigado com a possibilidade de encontrar tecidos moles preservados ali — algo até então inédito em tumores antigos.

Com sua equipe, ele foi até o local da descoberta e retirou uma pequena amostra do fóssil, perfurando o osso com um instrumento tão fino quanto um fio de cabelo. Através de análises em microscópio, foram identificadas células sanguíneas contendo proteínas preservadas.

Essas proteínas podem fornecer pistas sobre como os dinossauros reagiam ao câncer e se possuíam defesas naturais semelhantes às dos grandes animais atuais.

Embora a pesquisa esteja em fase inicial, ela representa um passo promissor na busca por entender não apenas a evolução do câncer, mas também possíveis formas de prevenção inspiradas na biologia desses animais ancestrais.