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Casos de Febre Oropouche crescem 56% em 2025 no Brasil

Doença já afetou mais de 10 mil pessoas e causou 4 mortes

Por: Layra Mercês

10/06/202517:09Atualizado

A febre Oropouche tem se espalhado de forma alarmante no Brasil, aumentando as preocupações em torno da saúde pública. Nos primeiros cinco meses de 2025, o país registrou 10.076 infecções, marcando um aumento de 56% em comparação com o mesmo período de 2024. Com a crescente urbanização do surto e a confirmação de mortes, autoridades de saúde em nível estadual e federal estão em alerta.

Alerta / Saúde
Foto: Conselho Federal de Farmácia / Divulgação

A doença, transmitida por mosquitos, tem se expandido rapidamente nas áreas urbanas, principalmente nas grandes cidades. De acordo com o Ministério da Saúde, o estado do Espírito Santo (ES) é o mais afetado, com mais de 6.000 casos confirmados. Outros estados como Rio de Janeiro (RJ), Minas Gerais (MG), Paraíba (PB) e Ceará (CE) também apresentam números elevados. Além disso, já foram registradas quatro mortes devido à febre: três no RJ e uma no ES.

Como o vírus Oropouche é transmitido

O vírus Oropouche (OROV) é a que causa da doença, originalmente encontrado em áreas isoladas da Amazônia, tem avançado para regiões urbanas devido a fatores como mudanças climáticas, urbanização descontrolada e falhas no controle de mosquitos.

Existem dois ciclos principais de transmissão do vírus:

  1. Ciclo silvestre: O vírus circula entre animais como macacos, preguiças e roedores, sendo transmitido por mosquitos como o Culicoides paraensis (maruim), além de outros como o Aedes serratus e Coquillettidia venezuelensis.

  2. Ciclo urbano: Nesse ciclo, o ser humano torna-se o principal hospedeiro, com os mosquitos maruim e Culex quinquefasciatus (pernilongo) atuando como os principais vetores, favorecendo sua disseminação nas cidades.

Sintomas da doença e dificuldades no diagnóstico

A febre Oropouche apresenta sintomas que se assemelham aos de outras doenças virais, como a dengue e a chikungunya, o que torna o diagnóstico clínico desafiador. Os sintomas mais comuns incluem:

  • Dor de cabeça intensa

  • Dores no corpo e nas articulações

  • Náuseas e diarreia

Em casos mais graves, que são raros, podem surgir complicações neurológicas, como meningite e encefalite, exigindo atenção médica, principalmente em pessoas com sistema imunológico enfraquecido ou histórico de doenças crônicas.

Prevenção: a melhor forma de combate

Ainda não existe tratamento específico para a doença, e as orientações médicas se concentram no controle dos sintomas. Dado que não há vacinas ou terapias antivirais eficazes, a prevenção é a chave para frear o avanço da doença.

As medidas recomendadas pelo Ministério da Saúde incluem:

  • Uso de roupas que cubram o corpo

  • Aplicação regular de repelentes

  • Eliminação de focos de água parada

  • Uso de mosquiteiros, especialmente em áreas rurais ou próximas à natureza

  • Manter ambientes ventilados com ar-condicionado ou ventiladores

O aumento de casos em 2025

Em 2024, o Brasil registrou mais de 13 mil casos de febre Oropouche durante o ano. Até maio de 2025, já foram confirmados mais de 10 mil casos, o que demonstra um crescimento acelerado em relação ao ano passado.

Veja a distribuição de casos:

  • Espírito Santo: 6.123

  • Rio de Janeiro: 1.900

  • Minas Gerais: 682

  • Paraíba: 640

  • Ceará: 573

  • Outros estados: 1 a 80 casos

Em resposta ao crescimento da doença, a vigilância epidemiológica foi intensificada e campanhas educativas estão sendo realizadas em diversas capitais. A população precisa estar informada e adotar medidas preventivas como parte de sua rotina diária, enquanto o combate ao mosquito e a observação dos sintomas continuam sendo essenciais.