Casa de R$ 300 milhões liga Moraes e Vorcaro em novo capítulo do caso
Coluna de Lauro Jardim revela encontro em Trancoso; investigações citam mensagens e prisão do banqueiro
Por: Redação
08/03/2026 • 10:46
Novas informações divulgadas neste domingo (8) ampliaram os detalhes sobre a relação entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Segundo o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, Moraes não frequentava apenas a mansão do empresário em Brasília.
De acordo com a coluna, o ministro também teria conhecido uma luxuosa propriedade alugada por Vorcaro em Trancoso, na Bahia, avaliada em cerca de R$ 300 milhões. O imóvel, que possui aproximadamente 40 mil metros quadrados, conta com 12 suítes, cinco bangalôs e outras estruturas de alto padrão.
A revelação surge em meio às investigações que envolvem o banqueiro e que já vinham gerando repercussão nos últimos dias. Recentemente, a divulgação de supostas mensagens entre Vorcaro e Alexandre de Moraes levou o Supremo Tribunal Federal a se manifestar oficialmente. Em nota, a Secretaria de Comunicação da Corte afirmou que as conversas divulgadas não foram direcionadas ao ministro.
Os registros vieram à tona após reportagem de O Globo, que teve acesso a conteúdos encontrados pela Polícia Federal (PF) no celular de Vorcaro. O empresário foi preso pela primeira vez em 17 de novembro de 2025, durante a Operação Compliance Zero, investigação que apura suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.
Em comunicado, o STF afirmou que os prints das mensagens estavam associados a outros contatos do telefone do banqueiro. Segundo a Corte, os registros analisados pelos investigadores não indicam que as conversas tenham sido enviadas diretamente ao ministro.
Ainda segundo a nota, os nomes dos possíveis destinatários das mensagens não serão divulgados devido ao sigilo das investigações. O tribunal destacou que, no material extraído do aparelho de Vorcaro, os registros aparecem vinculados a pastas com contatos diferentes do magistrado.
Vorcaro é transferido para Penitenciária de Brasília
Outro desdobramento do caso ocorreu também na sexta-feira, quando Daniel Vorcaro foi transferido para a Penitenciária Federal de Brasília, unidade de segurança máxima. A decisão foi autorizada pelo ministro André Mendonça, relator da investigação no STF, após pedido da Polícia Federal que apontou risco de interferência do empresário nas apurações.
Na mesma decisão, Mendonça determinou a abertura de um inquérito para investigar o vazamento de dados sigilosos, incluindo informações bancárias, fiscais e telemáticas relacionadas ao caso.
As investigações também apontam que, horas antes de sua primeira prisão, Vorcaro teria enviado uma mensagem por WhatsApp a Alexandre de Moraes. No registro identificado pela PF, o empresário escreveu às 7h19 da manhã: “Fiz uma correria aqui para tentar salvar. Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”.
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De acordo com os investigadores, o ministro respondeu logo em seguida utilizando mensagens de visualização única, recurso que apaga o conteúdo após ser aberto. Por esse motivo, o teor da resposta não pôde ser recuperado no aparelho apreendido.
Naquela mesma noite, por volta das 22h, Vorcaro foi preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, quando tentava embarcar em um jato particular com destino a Dubai, com escala em Malta.
Os peritos também identificaram um registro anterior de conversa entre os dois, datado de 1º de outubro, além de ligações telefônicas. As mensagens, no entanto, também não estavam disponíveis, possivelmente por terem sido apagadas ou enviadas em modo temporário.
Apesar da existência desses registros no material analisado pela PF, Alexandre de Moraes negou ter recebido as mensagens citadas. Em declaração enviada à coluna de Malu Gaspar, do portal O Globo, por meio de sua assessoria, o ministro afirmou que a informação seria uma tentativa de atacar o STF.
As investigações indicam ainda que, no momento em que enviou a mensagem ao magistrado, Vorcaro já teria conhecimento do inquérito que apurava a venda de carteiras de crédito fraudulentas ao Banco de Brasília (BRB).
A Polícia Federal suspeita que o banqueiro possa ter acessado de forma ilegal sistemas da própria corporação, além de procedimentos do Ministério Público relacionados ao caso.
No mesmo dia em que foi preso, Vorcaro e seus advogados teriam realizado movimentos para tentar evitar medidas judiciais. Um pedido foi apresentado à Justiça Federal de Brasília contra possíveis cautelares, enquanto o Banco Master anunciou às pressas a venda da instituição ao grupo Fictor por R$ 3 bilhões.
A tentativa não avançou. Ainda naquela noite, o empresário acabou detido e, no dia seguinte, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master, marcando um dos principais desdobramentos da primeira fase da Operação Compliance Zero.
