MC Poze pede para ficar na ala do Comando Vermelho
Artista temia facção rival e comemorou a devolução de bens de luxo
Por: Iago Bacelar
30/05/2025 • 08:27 • Atualizado
Ao desembarcar do camburão no complexo de Gericinó, no Rio de Janeiro, MC Poze do Rodo pediu para ficar na ala reservada ao Comando Vermelho (CV). O cantor, identificado como Marlon Brendon Coelho Couto, disse ter receio de ser colocado em área controlada pelo Terceiro Comando Puro (TCP), que disputa territórios com o CV.
A Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ) confirmou que o funkeiro pediu para ser transferido. Ele justificou que áreas controladas pelo TCP são locais de embate com o CV, o que aumenta os riscos de agressões contra ele na cadeia.
Artista já havia se posicionado sobre a guerra de facções
MC Poze se recusava a fazer apresentações em locais dominados por facções rivais do CV. Em 2021, ele chegou a ser alvo de ameaças de morte. O cantor tinha um show marcado no evento Baile do Embrasa, em Salvador, mas o evento foi cancelado. A decisão da Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) ocorreu após a identificação de um risco de conflito entre grupos criminosos e o artista.
Prisão temporária após investigação da Polícia Civil
Equipes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) prenderam o cantor temporariamente. As investigações demonstraram que o artista mantinha uma relação próxima com membros da alta cúpula do Comando Vermelho.
As provas apresentadas pela polícia mostraram que Poze ajudava a fortalecer o nome da facção. Os investigadores usaram esses elementos para embasar o pedido de prisão temporária.
Comemoração nas redes pela devolução de bens de luxo
Apesar da prisão, MC Poze comemorou a devolução de bens de luxo apreendidos em uma operação da Polícia Civil em novembro de 2024. A decisão partiu do juiz Thales Nogueira, da 1ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa. O magistrado atendeu parcialmente o pedido feito pela defesa do artista e de sua esposa, Viviane.
Os bens devolvidos incluíram veículos como uma Land Rover, uma BMW e um Honda HR-V, além de joias. O processo segue em segredo de Justiça.
Polícia investiga rifas ilegais envolvendo veículos e Pix
As investigações indicaram que o grupo de Poze organizava rifas ilegais com veículos e transferências via Pix que chegavam a valores de até R$ 200 mil. No caso dos veículos, a polícia informou que a documentação não era transferida para o nome dos vencedores.
Para dar uma aparência de legitimidade, o grupo usava parâmetros baseados no sorteio da Loteria Federal. A polícia apontou que, apesar disso, não havia um sistema oficial para auditar quem era o ganhador. Segundo os investigadores, a prática era considerada ilegal porque era conduzida por um aplicativo que apresentava indícios de fraude.
A operação policial que resultou na prisão de MC Poze e na apreensão dos bens foi fundamentada nesses elementos que expõem a fragilidade e a ilegalidade do esquema.
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