Logo

Funcionários da Embaixada de Israel são mortos a tiros em Washington

Suspeito gritou “Palestina Livre” ao ser preso e confessou o crime, segundo testemunhas; vítimas estavam prestes a noivar

Por: Iago Bacelar

22/05/202510:26Atualizado

Dois funcionários da Embaixada de Israel nos Estados Unidos foram mortos a tiros na noite desta quarta-feira (21), em frente ao Museu Judaico de Washington, na capital norte-americana. As autoridades locais identificaram as vítimas como Sarah Milgram e Yaron Lischinsky, um casal de namorados que trabalhava na representação diplomática e que, segundo o embaixador de Israel nos EUA, ficaria noivo na próxima semana.

Funcionários da Embaixada de Israel
Foto: Reprodução/Embaixada de Israel nos Estados Unidos

Vítimas estavam em evento no museu

De acordo com informações da polícia, o casal havia acabado de deixar um evento no museu quando foi surpreendido por disparos na rua. O autor dos tiros foi identificado como Elias Rodríguez, preso minutos após o crime. Ao ser detido, ele gritou "Palestina Livre", segundo a chefe da polícia local.

Uma testemunha que participava da cerimônia, a designer Katie Kalisher, disse que o suspeito chegou a entrar no museu logo após os disparos, sem portar armas, e confessou a autoria dos homicídios.

“Ele disse: ‘Eu fiz isso, eu fiz isso por Gaza’”, afirmou Kalisher.

Segundo a polícia, o autor dos disparos chegou a indicar o local onde descartou a arma utilizada no ataque, que foi posteriormente recuperada.

Polícia investiga motivação antissemita

A Segurança Interna dos EUA, representada por Kristi Noem, confirmou que o caso está sendo investigado como um crime de antissemitismo. A Procuradora-Geral dos EUA, Pam Bondi, e a Procuradora Interina do Distrito de Columbia, Jeanine Pirro, foram ao local para acompanhar o início das apurações.

O crime ocorreu próximo a um escritório regional do FBI, que também está atuando no caso. O diretor da agência, Kash Patel, afirmou que a equipe está colaborando com o Departamento de Polícia Metropolitana:

“Enquanto trabalhamos com o Departamento de Polícia Metropolitana para entender mais sobre o ocorrido, por ora, por favor, orem pelas vítimas e suas famílias”, declarou Patel.

Reações oficiais: Israel e EUA se pronunciam

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse estar “chocado” com o ocorrido e classificou o crime como assassinatos antissemitas. Ele anunciou que o governo vai reforçar a segurança nas embaixadas israelenses em todo o mundo.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também condenou o ataque, afirmando nas redes sociais que a motivação foi o ódio antissemita:

“Esses assassinatos horríveis em D.C., claramente motivados por antissemitismo, precisam acabar, agora!”, escreveu.

Casal morto estava prestes a noivar

O embaixador de Israel nos EUA, Yechiel Leiter, afirmou que as vítimas tinham planos de noivar na semana seguinte, em Jerusalém. Segundo ele, Yaron Lischinsky havia comprado o anel de noivado dias antes do ataque.

“O jovem comprou um anel esta semana com a intenção de fazer o pedido de casamento na próxima semana, em Jerusalém”, disse o embaixador.

Ambos eram identificados como funcionários da Embaixada de Israel em Washington. A representação diplomática, por meio de sua porta-voz, Tal Naium Cohen, disse que confia na investigação das autoridades:

“Temos total confiança nas autoridades policiais, tanto em nível local quanto federal, para capturar o atirador e proteger os representantes de Israel e as comunidades judaicas em todos os Estados Unidos”, afirmou.

Evento era organizado por grupo judaico

O evento no Museu Judaico era promovido pelo Comitê Judaico Americano (AJC). Em comunicado, o CEO da organização lamentou o ocorrido e expressou solidariedade às vítimas:

“Estamos devastados por um ato de violência indescritível ter ocorrido do lado de fora do local. Nossa atenção está voltada para os feridos e suas famílias.”

Suspeito não tinha antecedentes criminais

De acordo com a polícia, Elias Rodríguez não tinha histórico criminal. Antes dos disparos, ele foi visto caminhando "de um lado para o outro" na frente do museu. Após os tiros, tentou entrar novamente no evento, mas foi impedido por seguranças e detido ainda no local.

A arma usada no crime foi localizada com a ajuda das informações fornecidas pelo próprio suspeito durante o interrogatório inicial.