Casarões em risco interditam ruas no Centro de Salvador
Imóveis antigos ameaçam desabar no Santo Antônio e no Comércio
Por: Iago Bacelar
26/06/2025 • 09:24
Casarões históricos em risco de desabamento provocaram interdição de vias públicas em Salvador e alteraram itinerários de ônibus nos bairros do Santo Antônio Além do Carmo e do Comércio. De acordo com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (Sedur), parte de um dos imóveis atingidos será demolida nesta quinta-feira (26).
No último domingo (22), uma parte de um casarão localizado na rua dos Perdões, no Santo Antônio, desmoronou. O imóvel já havia sofrido um incêndio em fevereiro e desde então apresentava risco estrutural. Após o incidente, a rua foi interditada, o que causou transtornos a quem vive na região.
Dalva Maria, moradora do bairro, relatou os efeitos da interdição em entrevista à TV Bahia.
"Fica distante, a gente tem que fazer a volta para pegar a outra pista", disse. O imóvel é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Técnicos do órgão realizaram vistoria no local na quarta-feira (25) e autorizaram a demolição das áreas laterais, apontadas como as mais comprometidas.
Casarão no Comércio mantém via bloqueada há três meses
Outra situação semelhante ocorre no bairro do Comércio, onde a rua Pinto Martins está interditada há três meses. O bloqueio é causado pelo risco de colapso de outro casarão tombado pelo Iphan, situado entre as ruas Portugal e Guindastes dos Padres.
A Justiça Federal determinou em março que o proprietário do imóvel, a União e o Iphan fossem responsáveis por elaborar e executar um projeto de recuperação da estrutura. No entanto, nenhuma ação foi iniciada, e a via segue fechada. O g1 procurou o Iphan para esclarecimentos, mas não obteve resposta até a publicação da matéria original.
Em abril, a Defesa Civil de Salvador (Codesal) foi notificada por ofício do Iphan, o que levou ao bloqueio da via pela Superintendência de Trânsito de Salvador (Transalvador). O diretor-geral da Codesal, Sosthenes Macedo, informou que a área é monitorada regularmente pela prefeitura.
A interdição tem gerado impactos diretos no cotidiano de moradores, trabalhadores e usuários do transporte público. O bloqueio da Ladeira da Montanha afetou os itinerários de 22 linhas de ônibus, forçando alterações nas rotas dos coletivos.
Sirla Pires, que trabalha no bairro, explicou as dificuldades provocadas pela mudança.
"Pego um ônibus que faz uma volta terrível, a gente perde bastante tempo", afirmou.
Passageiros recorrem a vans irregulares para acessar região
Com a dificuldade de circulação, moradores e trabalhadores têm recorrido a vans clandestinas para circular entre as áreas interditadas. Esses transportes, que não são regulamentados, cobram entre R$ 2 e R$ 3 e oferecem risco à segurança dos passageiros.
Em nota, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Urbanismo (Sedur) informou que cabe ao Iphan realizar qualquer tipo de intervenção no imóvel do Comércio. Já a Secretaria de Mobilidade (Semob) declarou que irá reforçar a fiscalização de transportes clandestinos na região e que os itinerários dos ônibus serão restabelecidos assim que as condições de segurança forem garantidas.
As autoridades municipais seguem acompanhando os casos, mas a ausência de ações concretas para recuperação dos imóveis tombados levanta questionamentos sobre a responsabilidade pela preservação do patrimônio e pela segurança pública.
