Xi promete apoio da China a Lula e ao Sul Global em cenário internacional tenso
Em conversa telefônica, líder chinês defende papel da ONU e cooperação com o Brasil
Por: Redação
23/01/2026 • 11:31
O presidente da China, Xi Jinping, afirmou nesta sexta-feira (23) que o país asiático seguirá apoiando o Brasil e as nações do Sul Global diante do atual cenário internacional, marcado por instabilidade e tensões geopolíticas. A declaração foi feita durante uma conversa telefônica com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo a agência estatal chinesa Xinhua.
De acordo com a publicação, Xi destacou a importância de Brasil e China atuarem de forma conjunta na defesa de interesses comuns e na preservação do papel das Nações Unidas em um momento que classificou como “turbulento” para a ordem global.
A manifestação do líder chinês ocorre dias após Lula publicar um artigo de opinião no jornal The New York Times, no qual criticou duramente a recente ação dos Estados Unidos contra a Venezuela. No texto, o presidente brasileiro defendeu que o futuro do país vizinho deve ser decidido exclusivamente por seu próprio povo.
As declarações também ganham peso em meio às repercussões da operação do governo norte-americano que resultou na detenção do presidente venezuelano Nicolás Maduro para responder a acusações de tráfico de drogas nos Estados Unidos. O episódio gerou incertezas políticas em Caracas e despertou preocupação em países da América Latina.
Reações internacionais
A ação norte-americana ampliou o debate sobre o uso da força por grandes potências e levantou críticas de organismos internacionais. O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, afirmou que princípios fundamentais da ONU, como a igualdade entre os Estados-membros, estariam sendo colocados em risco, ao comentar o episódio em entrevista à BBC Radio 4.
No artigo publicado em 18 de janeiro, Lula classificou o ataque à Venezuela como um marco negativo para a região e ressaltou que, em mais de dois séculos de independência, esta seria a primeira vez que a América do Sul sofre uma ação militar direta dos Estados Unidos. O presidente brasileiro também alertou para os riscos de um cenário internacional baseado em coerção e medo.
“O mundo não pode se sustentar em uma lógica de hostilidade permanente”, escreveu Lula, ao defender que mesmo as grandes potências precisam buscar soluções baseadas no diálogo e no respeito mútuo.
Tensões além da América Latina
Além da crise venezuelana, o ambiente de instabilidade internacional foi ampliado por recentes declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a possibilidade de uso da força para anexar a Groenlândia, território autônomo ligado à Dinamarca. A ameaça abriu novas fissuras nas relações entre Washington e aliados europeus, reforçando o clima de incerteza no cenário global.
