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Especialista pede investigação e faz críticas à presença da China no Brasil

Relatório norte-americano aponta presença de base chinesa em Salvador

Por: Redação

04/03/202615:17Atualizado

A denúncia contida em relatório de um comitê do Congresso dos Estados Unidos sobre a existência de uma suposta instalação ligada à China em Salvador continua repercutindo. 

Foto Especialista pede investigação e faz críticas à presença da China no Brasil
Foto: Reprodução

Conforme o documento, a estrutura funcionaria como uma estação terrestre voltada à recepção e análise de dados de satélites, operando na sede da empresa brasileira Ayla Space, parceira da chinesa Beijing Tianlian Space Technology.

O texto classifica a unidade como “não oficial” e sugere que ela poderia ampliar a capacidade chinesa de monitoramento espacial na América do Sul.

O tema foi abordado pelo jornalista Rafael Fontana, autor do livro Chinobyl: Uma jornada pelas entranhas da ditadura comunista, em entrevista ao programa Café com a Gazeta, do jornal Gazeta do Povo. Para ele, a atuação chinesa no exterior tem caráter estratégico e permanente.“Tudo que a China faz pelo mundo é espionagem. Essas bases estão distribuídas por toda a América do Sul e vão desde estações legais reconhecidas pelo governo chinês até estações que estavam operando de forma não legalizada”, afirmou. Fontana também declarou que “a China está operando o tempo todo” e citou a presença de integrantes do Partido Comunista Chinês em empresas internacionais como parte dessa estratégia.

Espionagem

O jornalista defendeu que a situação mencionada no relatório seja alvo de apuração no Brasil. “Essa operação no Brasil precisa ser investigada”, disse, ao mencionar ainda a presença de empresas chinesas no país, como a montadora BYD.

Segundo ele, a expansão de veículos chineses no mercado nacional poderia ampliar a coleta de dados por meio de sistemas embarcados. “Se o Brasil tem 250 mil carros chineses circulando pelo país, obviamente a China está captando informações e tem muito interesse em observar o Brasil e o mundo a partir de uma base terrestre clandestina em Salvador”, declarou.

Além da suposta estrutura na capital baiana, o relatório norte-americano também cita o Laboratório Conjunto China-Brasil para Radioastronomia, na Serra do Urubu, como projeto acompanhado por autoridades dos Estados Unidos devido ao potencial de uso dual de tecnologias espaciais. Até o momento, não houve confirmação por parte do governo brasileiro sobre a caracterização da instalação mencionada como base clandestina, nem manifestação oficial das empresas citadas.

 O caso segue inserido em um contexto mais amplo de disputas geopolíticas entre Estados Unidos e China por influência tecnológica e estratégica na América Latina.