Logo

Trump envia 700 fuzileiros a Los Angeles após protestos

Presidente é acusado de violar soberania estadual com envio de tropas

Por: Iago Bacelar

10/06/202509:36

O governo dos Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump, anunciou o envio de 700 fuzileiros navais a Los Angeles para reforçar a segurança diante dos protestos pró-imigração que ocorrem na cidade desde a última sexta-feira (6).

Trump envia 700 fuzileiros a Los Angeles após protestos
Foto: Shealah Craighead / Casa Branca

De acordo com o Comando do Norte dos EUA, a medida tem como objetivo ampliar a cobertura da Força-Tarefa 51 na região, atuando em apoio à agência federal responsável pela operação.

"A ativação dos fuzileiros navais tem como objetivo fornecer à Força-Tarefa 51 números adequados de forças para proporcionar cobertura contínua da área em apoio à agência federal líder", informou o comando em comunicado oficial.

Envio de tropas ocorre após ações do ICE

Os protestos começaram após agentes do ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândega) realizarem diversas operações em pontos estratégicos de Los Angeles. As ações fazem parte da meta anunciada por Trump de realizar a maior operação de deportação da história, com previsão de 3.000 prisões diárias de migrantes.

Com o avanço das manifestações, o governo americano intensificou a resposta. No domingo (8), Trump já havia ordenado o envio de 2.000 agentes da Guarda Nacional, força normalmente acionada para desastres naturais, e não para distúrbios civis.

Califórnia reage à mobilização de tropas federais

A decisão do presidente provocou reação imediata das autoridades da Califórnia. O governador Gavin Newsom afirmou que o envio da Guarda Nacional violou a soberania estadual.

"[Trump] atiçou e agiu ilegalmente para federalizar a Guarda Nacional", declarou Newsom em publicação na rede X. Ele acrescentou que o estado irá processar o governo federal pela intervenção.

No sábado (7), Tom Homan, responsável pela política de fronteiras da gestão Trump, chegou a ameaçar prender qualquer pessoa que impedisse a execução das operações migratórias, incluindo o próprio governador e a prefeita de Los Angeles, Karen Bass.

Trump sugere apoio à prisão de governador e fala em insurgência

Questionado sobre as declarações de seu auxiliar, Trump disse apoiar a prisão de Newsom. Segundo ele, o governador “gosta de publicidade” e a medida poderia ser positiva.

"Eu faria isso se fosse o Tom. Acho ótimo. Gavin gosta de publicidade, mas acho que seria uma ótima coisa", afirmou o presidente na segunda-feira (9).

Durante a mesma fala, Trump se referiu aos manifestantes como "insurgentes", mas posteriormente recuou na declaração. Em nova fala, afirmou que não caracterizaria o movimento exatamente como uma insurreição, mas reconheceu que "poderia ter levado a uma".

Polícia local reprime manifestações no centro de Los Angeles

Segundo a polícia de Los Angeles, os protestos resultaram na prisão de 56 pessoas em dois dias. Três policiais ficaram levemente feridos. No domingo (8), foi determinada a proibição de reuniões no centro da cidade, e a região do Civic Center foi declarada zona de não reunião.

Imagens aéreas divulgadas por emissoras de televisão mostraram veículos policiais patrulhando ruas vazias e equipes de segurança posicionadas nos cruzamentos principais da área central.

Envio de tropas federais sem consentimento do estado é inédito desde 1965

O ex-diretor da ONG Human Rights Watch, Kenneth Roth, declarou que esta é a primeira vez desde 1965 que um presidente envia tropas ativas sem o pedido do governo estadual.

Segundo ele, Trump está "criando um espetáculo para continuar suas batidas migratórias", indicando o uso político da força militar em um contexto de campanha.

ONU pede desmilitarização do conflito

Diante da escalada da crise, a Organização das Nações Unidas (ONU) pediu que as partes envolvidas atuem para reduzir a tensão.

"Não queremos ver uma maior militarização da situação e apelamos a todas as partes, nos níveis local, estadual e federal, para que trabalhem nesse sentido", afirmou Farhan Haq, porta-voz-adjunto do secretário-geral da ONU.