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Crise Israel-Irã: Brasil se posiciona contra bombardeios

Crise levanta temores de guerra regional, pressiona economia global e mobiliza potências mundiais

Por: Lorena Bomfim

17/06/202513:01

Na madrugada de sexta-feira (13), Israel lançou um ataque de grande escala contra o Irã, mirando instalações nucleares — entre elas a usina de Natanz — e alvos militares estratégicos. O bombardeio provocou a morte de seis cientistas nucleares iranianos e de figuras de alto escalão, incluindo o chefe da Guarda Revolucionária, Hossein Salami.

Bandeira de Israel e Irã
Foto: Reprodução / IA

Segundo o governo israelense, o objetivo da ofensiva é neutralizar o programa nuclear iraniano, que, embora seja apresentado por Teerã como pacífico, é considerado uma ameaça por Israel e seus aliados. Em resposta, o Irã disparou mísseis contra o território israelense, marcando uma nova fase no já antigo conflito entre os dois países.

Quatro dias após o início das hostilidades, o número de mortos ultrapassa 240, e cresce o temor de uma escalada militar na região do Oriente Médio, com possíveis repercussões globais, inclusive no aumento dos preços de combustíveis e alimentos.

Reações internacionais

Estados Unidos
Aliado histórico de Israel, o governo norte-americano declarou apoio político à ofensiva, mas negou envolvimento direto nos ataques. O ex-presidente Donald Trump elogiou a ação israelense e sugeriu que ela pode pressionar o Irã a retornar à mesa de negociações. Ainda assim, Washington afirma que seu foco principal é a proteção das tropas americanas no Oriente Médio.

China
Pequim condenou a violação da soberania iraniana e defendeu o direito do Irã à autodefesa. O governo chinês se ofereceu para mediar o conflito e fez um apelo pela imediata redução das tensões na região.

Rússia
O Kremlin também condenou os ataques israelenses e sinalizou disposição para atuar como mediador. A imprensa russa destacou que a crise pode beneficiar Moscou, ao desviar a atenção da guerra na Ucrânia e provocar alta nos preços do petróleo, setor estratégico para a economia russa.

Brasil
O governo brasileiro classificou o ataque de Israel como uma grave violação do direito internacional e uma ameaça à paz global. O Itamaraty não comentou oficialmente sobre a retaliação iraniana, mas informou que autoridades brasileiras que estavam em território israelense foram transferidas para a Jordânia por motivos de segurança. Em meio à crise em Gaza — que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem chamado de “genocídio” —, o Brasil também estuda romper acordos militares com o governo de Benjamin Netanyahu.

Escalada perigosa

O conflito entre Israel e Irã atinge um novo patamar de gravidade, ampliando o risco de envolvimento de potências globais e acentuando as tensões no já instável cenário geopolítico do Oriente Médio. A escalada militar já afeta o mercado internacional e levanta preocupações sobre os impactos econômicos e humanitários caso a guerra se prolongue.