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China condena ataque de Israel ao Irã e se propõe a intermediar diálogo

Governo chinês quer papel ativo na crise, mas enfrenta limites diante da influência dos EUA

Por: Lorena Bomfim

16/06/202512:31

Com o ataque aéreo israelense contra instalações militares e nucleares do Irã na última sexta-feira (13), o conflito entre os dois países se intensificou, abrindo espaço para a China tentar se posicionar como mediadora da crise. O chanceler chinês, Wang Yi, conversou separadamente com seus homólogos iraniano e israelense no fim de semana, condenando o ataque de Israel e oferecendo a mediação de Pequim para uma solução pacífica.

Ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi
Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil

“A China condena explicitamente a violação por Israel da soberania, segurança e integridade territorial do Irã”, afirmou Wang, segundo comunicado do governo chinês. Ele acrescentou que o país apoia o Irã na defesa de sua soberania e de seus interesses legítimos.

A postura de Pequim contrasta com sua posição diante da invasão da Ucrânia pela Rússia — que evitou condenar — e ressalta o aprofundamento da divisão geopolítica entre China e Estados Unidos. O governo chinês tem reforçado sua atuação no Oriente Médio, uma região estratégica para sua segurança energética e onde busca ampliar sua influência diplomática.

Desde o ataque israelense, os dois lados realizaram ofensivas que já deixaram mortos e feridos, elevando o risco de uma escalada regional. Os EUA, por enquanto, têm limitado sua atuação à defesa de Israel contra mísseis e drones lançados pelo Irã.

Wang também criticou indiretamente os EUA em sua conversa com o ministro iraniano, Seyed Abbas Araghchi, ao afirmar que “países com influência sobre Israel” deveriam agir para restaurar a paz. Segundo o governo chinês, o chanceler reiterou que a China está disposta a manter diálogo com todas as partes envolvidas para ajudar a reduzir as tensões.

Na ligação com o chanceler israelense Gideon Sa’ar, Wang Yi fez apelo semelhante por diálogo e reafirmou o interesse chinês em contribuir para a mediação do conflito.

Pequim tem laços históricos com Teerã, incluindo acordos econômicos e cooperação militar, como exercícios navais conjuntos. Além disso, se opõe às sanções dos EUA contra o Irã e já criticou a retirada dos americanos do acordo nuclear de 2015.

Apesar disso, especialistas afirmam que a influência da China como mediadora ainda é limitada, especialmente diante do papel estratégico dos EUA na segurança da região e das alianças militares já estabelecidas.

O ex-presidente dos EUA Donald Trump comentou o conflito em suas redes sociais no domingo (16), dizendo que "Irã e Israel farão um acordo" e mencionando “muitas ligações e reuniões”. Trump também afirmou estar aberto a uma possível mediação do presidente russo, Vladimir Putin — com quem disse ter discutido a situação —, destacando a aproximação entre Washington e Moscou no contexto da crise.

A China, por sua vez, segue buscando uma posição de relevância no Oriente Médio, repetindo o papel que teve em 2023 ao intermediar a reaproximação entre Irã e Arábia Saudita. Resta saber até que ponto conseguirá influenciar os rumos de um conflito profundamente enraizado e de ampla repercussão global.