"O sistema precisa mudar", diz Arthur Gallas ao confirmar candidatura
Delegado afirmou que pretende disputar vaga na Câmara Federal e criticou o atual modelo de combate à criminalidade
Por: Domynique Fonseca
13/07/2026 • 12:52 • Atualizado
O delegado da Polícia Civil da Bahia Arthur Gallas (Republicanos) confirmou, nesta segunda-feira (13), sua pré-candidatura a deputado federal nas eleições de 2026. Em entrevista ao programa Portal Esfera no Rádio, na 97,5 FM, apresentado por Luis Ganem, o policial afirmou que decidiu ingressar na política após mais de três décadas de atuação na segurança pública e defendeu mudanças estruturais no sistema de Justiça e no enfrentamento à criminalidade.
Afastado das funções na Polícia Civil desde o último dia 4 em razão da pré-candidatura, Gallas disse que aceitou o convite feito pelo ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), e pelo prefeito Bruno Reis (União Brasil) para integrar o grupo de oposição. Segundo ele, a experiência acumulada em mais de 30 anos de carreira o motivou a buscar soluções para problemas que, na avaliação dele, ultrapassam a atuação das forças policiais.
"O sistema realmente é que precisa ser mudado. Eu acredito que temos das melhores polícias do Brasil. A Polícia Civil da Bahia e a Polícia Militar trabalham incessantemente contra uma criminalidade que só cresce, mas o problema não é a polícia. A polícia, inclusive, é uma das vítimas desse sistema", afirmou.
Durante a entrevista, o delegado disse que sua campanha será baseada em reuniões e no uso das redes sociais. Ele afirmou que pretende buscar apoio de eleitores insatisfeitos com o cenário da segurança pública.
Facções e controle de territórios
Ao comentar o avanço da criminalidade, Gallas afirmou que o fortalecimento das facções criminosas alterou a dinâmica da violência em diversas comunidades. Segundo ele, em algumas localidades os grupos passaram a exercer funções que deveriam ser desempenhadas pelo Estado.
Na avaliação do delegado, atualmente o principal objetivo das organizações criminosas deixou de ser apenas o tráfico de drogas e passou a ser o domínio territorial.
"O cidadão de bem que mora nessas comunidades sofre demais. Em muitos lugares, as facções impõem regras, cobram taxas e acabam exercendo um poder paralelo pela ausência do Estado", declarou.
Como exemplo, o delegado relatou uma operação policial realizada neste ano em uma comunidade de Salvador. Segundo ele, após a retirada de uma barricada instalada por criminosos, um morador afirmou que não conseguia retirar o próprio carro da garagem havia cerca de dois anos.
Reprodução/ Instagram @delegado.arthurgallas
Críticas ao sistema penal
Gallas também criticou o que considera um excesso de garantias no sistema penal brasileiro e defendeu mudanças na legislação para aumentar a efetividade da punição aos criminosos.
Durante a entrevista, ele citou o caso de um suspeito preso recentemente por equipes do Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic). Segundo o delegado, o homem já havia sido detido 55 vezes por diferentes crimes.
"Como uma pessoa é presa 55 vezes por roubo, furto, tráfico e lesão corporal e continua sendo colocada em liberdade poucos dias depois? Isso mostra que há um problema no sistema", afirmou.
Na avaliação do delegado, o combate à criminalidade exige uma política que aumente a sensação de punição para quem pratica crimes, além de um sistema prisional mais rígido, especialmente para integrantes de facções criminosas.
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Comparação entre Bahia e Espírito Santo
Ao defender mudanças no sistema de encarceramento, Arthur Gallas comparou a realidade da Bahia com a do Espírito Santo. Segundo ele, embora a Bahia tenha uma população significativamente maior, o estado capixaba possui um índice de encarceramento superior.
Para o delegado, esse cenário demonstra diferenças nas políticas de segurança pública adotadas pelos estados.
"Pode colocar mais viaturas na rua e aumentar o efetivo das polícias. Se o sistema continuar o mesmo, a sensação será de enxugar gelo", disse.
Valorização dos policiais
Outro ponto destacado por Gallas foi a remuneração dos profissionais da segurança pública. Segundo ele, a Bahia enfrenta dificuldades para manter policiais devido aos salários praticados no estado.
O delegado afirmou que muitos servidores utilizam a Polícia Civil baiana como etapa temporária até conseguirem aprovação em concursos de outras unidades da federação com melhores vencimentos.
"Você pode fazer quantos concursos quiser. Se não remunerar bem o policial, em pouco tempo ele vai procurar outro estado. Hoje existe um mercado nacional de concursos, e o profissional vai trabalhar onde houver melhores condições", completou.
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