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Greve paralisa obras do VLT e FIOL em 17 cidades da Bahia

Trabalhadores pedem reajuste e melhorias em condições nos canteiros

Por: Iago Bacelar

12/06/202509:00

Uma greve dos trabalhadores da construção pesada foi deflagrada na Bahia após aprovação em assembleia realizada nesta quarta-feira (11) em Salvador. A paralisação afeta diretamente mais de 22 mil operários e compromete obras que somam mais de R$ 25 bilhões em investimentos públicos e privados em 17 cidades baianas.

Greve paralisa obras do VLT e FIOL em 17 cidades da Bahia
Foto: Reprodução/Daniel Amaro

Obras do VLT, FIOL e BR-324 estão entre os empreendimentos atingidos

Entre os empreendimentos impactados estão as obras do VLT em Salvador, a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL), intervenções na BR-324 nas regiões do Porto de Salvador e do bairro de Valéria, além de serviços de tapa-buraco e projetos de infraestrutura como o Projeto Mané Dendê, Consórcio Jaguaribe e obras em barragens.

Segundo o Sintepav-BA (Sindicato dos Trabalhadores da Construção Pesada e Montagem Industrial da Bahia), a suspensão das atividades ocorrerá de forma progressiva e já envolve frentes de trabalho em Salvador, Ilhéus, Itabuna, Juazeiro, Guanambi, Alagoinhas, Santo Estevão, Chorrochó, Entre Rios, Barra do Choça, Santa Maria da Vitória, Cocos, Uibaí, João Dourado, Luís Eduardo Magalhães, Piritiba e Rui Barbosa.

Impasse nas negociações da campanha salarial de 2025 motiva mobilização

A paralisação ocorre em meio à falta de acordo entre trabalhadores e empregadores durante a campanha salarial de 2025. A categoria reivindica reajuste salarial, aumento no valor da cesta básica, implantação de plano de saúde, tabela salarial por função, garantia do aviso prévio indenizado, criação de um Comitê da Diversidade e a implementação do café regional nos canteiros de obra.

Em nota, o sindicato explicou que a greve é resultado da ausência de avanço nas negociações, que já vinham sendo debatidas desde o início do ano. A decisão pela paralisação foi aprovada em assembleia na quinta-feira (6) e comunicada formalmente na sexta-feira (7).

Governo e setor patronal tentam acordo para retomada das obras

O Governo do Estado da Bahia informou, por meio de nota, que está monitorando a situação e mantendo tratativas tanto com o Sintepav-BA quanto com o sindicato patronal. A expectativa da gestão estadual é que um acordo seja alcançado em breve e que as obras possam continuar sem alteração dos prazos estabelecidos.

Já o Sinicon (Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada – Infraestrutura) declarou que "não tem medido esforços" para que as negociações avancem. Apesar da falta de consenso, a entidade afirma que as tratativas seguem em curso.

Paralisação pode afetar cronograma de grandes obras estruturantes

A greve compromete o andamento de obras essenciais para a infraestrutura e mobilidade urbana no estado. A construção do VLT de Salvador, por exemplo, é considerada estratégica para a região metropolitana, enquanto a FIOL é apontada como uma rota fundamental para o escoamento da produção agrícola e mineral.

Além disso, intervenções na BR-324 impactam diretamente o tráfego e o transporte de cargas no entorno da capital. O prolongamento da paralisação pode gerar atrasos nos cronogramas de entrega e custos adicionais para os contratos firmados com empresas públicas e privadas.