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“Taxa das blusinhas” permanece indefinida, indica Geraldo Alckmin

Declaração ocorre após pressão política e desgaste do governo

Por: Redação

19/04/202614:00

O presidente em exercício, Geraldo Alckmin, afirmou neste sábado (18), que ainda não há definição sobre a chamada taxa das blusinhas, que incide sobre compras internacionais de baixo valor. A declaração foi dada durante agenda em Goiás, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cumpre viagem ao exterior.

Cenário da taxa das blusinhas
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A fala marca uma mudança de tom. Dias antes, Alckmin havia defendido a medida como forma de proteger a indústria nacional e preservar empregos, argumento que agora foi deixado de lado diante do impasse interno no governo.

Nos bastidores, o tema ganhou força após avaliações da Secretaria de Comunicação Social da Presidência indicarem que a cobrança está entre as ações mais impopulares da atual gestão.

Com isso, a Casa Civil e a própria Secom passaram a conduzir discussões sobre uma possível revisão ou até revogação da medida. O ministro José Guimarães classificou a taxa como um dos principais pontos de desgaste político. Já Guilherme Boulos afirmou que a revogação é uma possibilidade em análise.

Área econômica ainda resiste

Apesar da pressão política, setores da equipe econômica seguem contrários às mudanças. O Ministério da Fazenda e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços defendem a manutenção da cobrança.

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Criada em 2024, a taxa prevê 20% de imposto sobre compras internacionais de até 50 dólares. Para valores superiores, a alíquota pode chegar a 60%, com abatimento fixo.

Impacto fiscal e social

Além da repercussão política, o tema envolve impacto nas contas públicas. A medida gerou cerca de R$ 5 bilhões em 2025 e mais de R$ 1,2 bilhão apenas no primeiro trimestre de 2026.

Por outro lado, a cobrança afeta principalmente consumidores de menor renda, especialmente das classes C e D, que concentram compras nessa faixa de valor. Diante do cenário, o governo ainda busca um equilíbrio entre arrecadação, pressão política e impacto social antes de tomar uma decisão final.