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Coco Chanel e os nazistas: o passado controverso revelado pela série "The New Look"

Série aborda alianças de estilistas durante a Segunda Guerra Mundial

Por: Redação

26/05/202511:47Atualizado

A série “The New Look”, da Apple TV+, retrata os bastidores do mundo da moda durante a Segunda Guerra Mundial e se concentra em dois dos nomes mais influentes do período: Coco Chanel e Christian Dior. A produção mergulha na atuação de ambos durante a ocupação nazista em Paris, apresentando versões distintas de resistência, colaboração e sobrevivência.

Desfile Chanel
Foto: Divulgação Chanel

Coco Chanel: entre reinvenção pessoal e colaboração com os nazistas

Gabrielle “Coco” Chanel (1883-1971) construiu uma das marcas mais reconhecidas da moda mundial. Nos anos 1910, inovou ao criar roupas de linhas simples com tecidos como o jersey, rompendo com o uso do espartilho e propondo liberdade de movimento para as mulheres. Mais tarde, introduziu o vestido preto básico e o perfume Chanel Nº 5, ambos símbolos de elegância e atemporalidade.

Mas Chanel também ficou marcada pela forma como conduziu sua própria imagem. Se recusava a reconhecer sua infância humilde, marcada pela morte da mãe e pelo abandono do pai. Criada por freiras, ela omitia essa fase da vida e pagava seus irmãos para que não falassem sobre suas origens, evitando constrangimentos.

Durante a Segunda Guerra, Chanel se envolveu com o regime nazista. Seu relacionamento com Hans Günther von Dincklage, agente alemão conhecido como Spatz, é comprovado. O envolvimento amoroso resultou em benefícios práticos: contatos nazistas ajudaram a libertar André, sobrinho de Chanel, preso pelo exército alemão.

Chanel também participou da Operação Modelhut, uma missão autorizada por um general nazista. Nessa operação, ela viajou até Madri, na Espanha neutra, para entregar uma mensagem ao então primeiro-ministro britânico, Winston Churchill. O objetivo era propor, sem consentimento de Hitler, o fim da guerra por meio de negociações alternativas. Chanel atuava sob o codinome “Westminster”, em referência ao seu longo relacionamento com o duque de Westminster, iniciado nos anos 1920.

Além disso, a estilista tentou usar as leis arianas impostas pelo regime para remover seus sócios judeus da empresa de perfumes, sem sucesso. A tentativa reforça a natureza pragmática de suas ações naquele período.

Christian Dior: lealdade à França e apoio à Resistência

Enquanto Chanel optou por fechar sua casa de moda durante a ocupação, Christian Dior (1905-1957) continuou desenhando para esposas e companheiras de oficiais nazistas. Essa postura, por vezes criticada, foi abordada na série com um dos diálogos mais destacados. Quando um aluno da Universidade Sorbonne o questiona sobre isso em 1955, Dior responde:

“Existe a verdade, mas sempre existe outra verdade por trás dela.”

A produção apresenta uma justificativa plausível: Dior precisava manter sua renda e usava o dinheiro para apoiar as ações de sua irmã, Catherine Dior, que atuava na Resistência Francesa. Catherine acabou presa, torturada e enviada a um campo de trabalhos forçados, episódio pouco conhecido que ganha destaque na narrativa da série.

“The New Look” e a dualidade histórica

A série apresenta uma obra de ficção baseada em fatos históricos. Seu enfoque está em como dois ícones da moda reagiram de formas distintas à ocupação alemã: a colaboração de Chanel e a resistência indireta de Dior. Essa dualidade é representada pelas decisões, riscos e alianças feitas em tempos de guerra.

A proposta não é julgar, mas apresentar camadas de interpretação, como destacou a frase dita por Dior na trama. A narrativa se organiza em idas e vindas no tempo, especialmente entre o ano de 1955 e os anos da guerra, propondo reflexões sobre lealdade, sobrevivência e o papel da moda em contextos extremos.

Serviço: onde assistir "The New Look"

A série “The New Look” está disponível na plataforma Apple TV+, com episódios focados na trajetória de Coco Chanel, Christian Dior e outros nomes influentes da moda. A produção também destaca a atuação de Catherine Dior e levanta discussões sobre memória histórica, colaboração e resistência.