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Cordeiros e folionas buscam apoio em posto de proteção na Barra-Ondina

Espaço oferece acolhimento e encaminhamento após registros de agressão no circuito

Por: Jaísa de Almeida|Marcos Flávio Nascimento

15/02/202610:43Atualizado

Em meio aos recentes casos de agressões contra mulheres e feminicídio registrados no Brasil, iniciativas de prevenção passaram a ganhar ainda mais visibilidade durante o Carnaval de Salvador. No circuito Dodô, na Barra-Ondina, um posto integrado de proteção à violência segue em funcionamento com a proposta de ampliar a rede de cuidado e garantir mais segurança para quem curte a festa no meio da multidão.

Foto Cordeiros e folionas buscam apoio em posto de proteção na Barra-Ondina
Foto: Marcos Flávio/Portal Esfera

Instalado na Praça das Meninas Brasileiras, o espaço recebe principalmente mulheres vítimas de violência sexual ou doméstica ocorrida dentro do próprio circuito. A estrutura reúne diferentes órgãos públicos para prestar orientação, realizar acolhimento inicial e encaminhar os casos para serviços de saúde ou proteção social, conforme a necessidade identificada pelas equipes de plantão.

Em entrevista ao Portal Esfera, Renata Luciana, integrante da Superintendência de Prevenção à Violência (SPREV), afirma que o posto opera como um ponto de múltiplos serviços, com atuação conjunta de instituições que participam do atendimento durante o Carnaval. Segundo ela, a integração entre os órgãos permite direcionamento mais rápido das ocorrências registradas:

“Temos também integrado aqui ao nosso posto o pessoal da Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres, Infância e Juventude (SPMJ), que dá esse suporte para a gente, o pessoal do Conselho Tutelar, que também dá esse suporte, e pessoas vítimas de agressão a gente também acolhe e faz a tratativa para o encaminhamento ao posto de saúde.”


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O suporte oferecido no local não se limita aos casos de violência física ou sexual. A equipe também presta assistência a foliões que perderam documentos, pessoas LGBT que relataram agressões, além de idosos, crianças e pessoas com deficiência que necessitam de orientação ou encaminhamento. A proposta é garantir que ninguém fique desassistido no meio da correria do circuito.

Marcos Flávio/Portal Esfera

Marcos Flávio/Portal Esfera


Ainda durante a entrevista ao Esfera, a agente destacou que um dos pontos que mais chamaram atenção neste ano foi o número de ocorrências envolvendo trabalhadores do próprio Carnaval. De acordo com ela, parte dos atendimentos envolveu situações de agressão sofridas por cordeiros ao longo do percurso, o que acendeu um alerta para a necessidade de reforçar a proteção também a esses profissionais.

“O que mais impressionou a gente foi a quantidade de cordeiros que sofreram agressão durante o circuito. Tivemos mulheres que foram agredidas, foliões, e eles vieram buscar apoio aqui. Demos esse apoio, chamando o Corpo de Bombeiros, que direcionou ao posto de saúde”, acrescenta.