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ECA digital amplia proteção de crianças nas redes sociais

Advogada alerta para riscos online em entrevista ao Portal Esfera

Por: Marcos Flávio Nascimento

06/05/202612:49Atualizado

O avanço do ambiente digital tem exigido novas formas de proteção para crianças e adolescentes. Em entrevista ao Portal Esfera no Rádio, o apresentador Luis Ganem recebeu a advogada Camila Pementa, que destacou os impactos do ECA digital e os desafios atuais no uso das redes.

Foto ECA digital amplia proteção de crianças nas redes sociais
Foto: Lorena Bomfim / Portal Esfera

Logo no início, a especialista reforçou que o Estatuto da Criança e do Adolescente continua sendo essencial, mas precisa dialogar com a realidade atual. “O ECA de 1990 continua em vigor, mas naquela época não existia uma tela na mão de cada criança como existe hoje”, afirmou.

Com a atualização das regras, o chamado ECA digital surge como resposta às novas dinâmicas online. Segundo Camila, a legislação busca garantir proteção integral no ambiente virtual, especialmente diante de conteúdos inadequados que circulam livremente nas plataformas.

Um dos exemplos citados foi a chamada “novelinha das frutas”, conteúdo aparentemente infantil que esconde temas adultos. “Parece um conteúdo infantil, mas trata de sexualidade, violência e drogas. Isso confunde e impacta diretamente crianças e adolescentes”, alertou.

A advogada também comentou mudanças recentes em plataformas como o YouTube, que passou a ajustar a classificação etária. Para ela, a medida não se trata de censura, mas de proteção. “Nem tudo que está disponível deve ser consumido por crianças. A gente precisa entender isso como sociedade”, pontuou.

Outro ponto levantado foi o papel coletivo no enfrentamento da violência e da exposição precoce. “Enquanto continuarmos naturalizando certos comportamentos, não vamos avançar. O combate também passa pela responsabilidade social”, destacou.

Ao longo da conversa, Camila reforçou que o ambiente digital amplia riscos relacionados à saúde mental, desenvolvimento e relações sociais, tornando urgente a participação ativa de pais, educadores e da própria sociedade.

Para a especialista, o caminho passa por educação e conscientização. “Somos seres aprendíveis. Assim como mudamos hábitos no trânsito, podemos mudar nossa relação com o digital”, concluiu.