Pesquisa brasileira avalia eficácia de novos perfis de doação de medula
Estudo analisa resultados com doadores familiares e não aparentados
Por: Redação
04/01/2026 • 16:03
A busca por um doador de medula óssea totalmente compatível pode não ser mais uma etapa obrigatória para o sucesso do transplante. Um estudo brasileiro publicado em dezembro na revista Blood indica que procedimentos realizados com doadores familiares parcialmente compatíveis apresentam resultados equivalentes aos obtidos com doadores totalmente compatíveis sem parentesco.
A pesquisa avaliou pacientes adultos com leucemia mieloide aguda ou linfoblástica aguda que estavam em remissão completa no momento do transplante. Conforme informações do portal Metrópoles, ao comparar diferentes perfis de doação, os pesquisadores não identificaram diferenças clinicamente relevantes em segurança ou eficácia entre os grupos analisados, o que amplia o leque de opções terapêuticas.
O trabalho foi conduzido pelo Hospital Israelita Albert Einstein em parceria com a Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea e reuniu dados de 501 pacientes atendidos em 21 hospitais do país entre 2018 e 2021. Desses, 335 receberam células de doadores parcialmente compatíveis, enquanto 166 foram submetidos ao procedimento com doadores totalmente compatíveis não aparentados.
Comparação entre os resultados
Após um acompanhamento médio de 26 meses, os índices de sobrevida global, retorno da doença e toxicidade se mantiveram próximos entre os dois grupos. Em dois anos, a sobrevida global alcançou 61% entre os pacientes que receberam transplante haploidêntico e 66% entre aqueles que passaram por transplante com doador totalmente compatível.
A taxa de sobrevida livre de retorno do câncer foi de 57% no grupo com doadores familiares parcialmente compatíveis e de 62% no grupo MUD. Já a incidência de recidiva em dois anos chegou a 20% nos transplantes haploidênticos e a 14% nos realizados com doadores totalmente compatíveis, sem que o tipo de doador se mostrasse um fator independente para o prognóstico.
Segundo os autores, os achados reforçam evidências científicas de que a utilização de parentes próximos como doadores pode ser uma alternativa segura e eficaz, especialmente em situações em que não há disponibilidade imediata de um doador totalmente compatível.
Relacionadas
