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Polícia apura mortes após injeções ilegais em UTI do DF

Entenda a motivação, quem são os suspeitos e o que já se sabe sobre o caso

Por: Redação

21/01/202609:56

A Polícia Civil do Distrito Federal investiga a morte de ao menos três pacientes internados na UTI do Hospital Anchieta, em Taguatinga. O caso é tratado como homicídio, corre em segredo de Justiça e resultou na prisão temporária de três técnicos de enfermagem, suspeitos de aplicar medicamentos de forma irregular diretamente na veia das vítimas. Em um dos episódios, a polícia afirma que houve até a aplicação de desinfetante.

Foto Polícia apura mortes após injeções ilegais em UTI do DF
Foto: Ilustrativa / PCBA

As mortes aconteceram nos dias 19 de novembro e 1º de dezembro de 2025, mas a investigação só veio a público em janeiro de 2026, após o avanço das apurações.

Suspeitos e dinâmica do crime

Foram presos durante a Operação Anúbis os técnicos Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos, apontado como principal suspeito; Marcela Camilly Alves da Silva, de 22, que estava no primeiro emprego e era treinada por ele; e Amanda Rodrigues de Sousa, de 28, funcionária de outro setor do hospital.

Segundo a Polícia Civil, os pacientes receberam medicamentos comuns em UTIs, porém aplicados de forma indevida, o que pode provocar parada cardíaca. Em um dos casos, o principal investigado também teria injetado desinfetante na paciente. A apuração indica que Marcos Vinícius se aproveitou de um sistema interno aberto e logado em nome de médicos para prescrever o remédio, retirá-lo na farmácia e aplicá-lo nas vítimas. As outras duas técnicas teriam auxiliado na ação ou presenciado as aplicações.

Provas, confissões e motivação

A investigação reúne imagens das câmeras da UTI, análise de prontuários médicos, depoimentos de funcionários e apreensão de celulares dos investigados. De acordo com a polícia, Marcos Vinícius e Marcela confessaram após serem confrontados com as imagens. Amanda negou envolvimento, mas os investigadores afirmam que os registros indicam participação.

A motivação do crime ainda não foi esclarecida. O principal suspeito apresentou versões contraditórias, alegando nervosismo e, em outro momento, dizendo que teria agido para “aliviar o sofrimento” dos pacientes.

Vítimas, hospital e próximos passos

As vítimas são Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos; João Clemente Pereira, de 63; e Marcos Raymundo Fernandes Moreira, de 33. Em nota, o Hospital Anchieta informou que demitiu os três funcionários, identificou irregularidades em investigação interna, acionou a Polícia Civil e afirmou colaborar com as apurações.

A polícia não descarta a existência de outras vítimas e apura se houve casos semelhantes em outros hospitais onde os suspeitos atuaram. Os três técnicos seguem presos temporariamente por 30 dias, enquanto a investigação continua.